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O aquecimento global está a deixar-nos mais pobres

MOHAMEDOSMAN27 / Wikimedia Commons

Crianças junto a um rio seco no Sudão

Secas e outras catástrofes naturais destroem plantações. Vagas de calor movem populações. Quebras de colheitas levam ao caos financeiro. São só alguns exemplos dos desastres que se avizinham caso as temperaturas continuem em escalada.

Em 2014, o ZAP noticiava um relatório do Banco Mundial, que revelava que o aquecimento global podia “agravar consideravelmente” a pobreza. Entretanto, mais de dez anos depois, já se sabe quanto — e é mais do que pensávamos.

Em 2024, o país ultrapassou a marca dos 1,5ºC. Mesmo que este valor se mantenha a 2ºC acima dos níveis pré-industriais, um novo estudo revela que esse aumento já se vai traduzir numa redução de 16% do PIB médio por pessoa.

Mas o que este estudo, publicado esta semana na Environmental Research Letters, revela é ainda mais alarmante: se o aquecimento atingir os 4ºC, qualquer pessoa de classe média vai empobrecer 40%, ou seja, perder quase metade da sua capacidade financeira.

“Num futuro mais quente, podemos esperar ruturas em cascata nas cadeias de abastecimento, desencadeadas por fenómenos meteorológicos extremos em todo o mundo”, afirmou o autor principal Timothy Neal.

Como é que o clima afeta a economia? É simples: sem recursos naturais, os preços escalam e a economia rebenta. Fenómenos como a seca e a falta de recursos aquáticos destroem colheitas essenciais à economia.

As populações mais pobres serão, portanto, as primeira vítimas. No caso de ondas de calor fortes, por exemplo, estas podem ser tão grandes que levarão à migração em massa. A geopolítica, a economia, a vida das pessoas, tudo isso está em jogo.

O ZAP já noticiara também que o próprio mercado imobiliário está já a ser afetado por fatores climáticos como a erosão costeira ou a subida do nível do mar, que destroem casas e tiram valor a algumas propriedades onde estes fenómenos possam acontecer facilmente.

Andy Pitman, cientista climático, diz ao The Guardian que “a reformulação dos modelos económicos para ter em conta os extremos na sua parte do mundo e o seu impacto nas cadeias de abastecimento parece ser uma coisa muito urgente a fazer”.

É claro que o primeiro passo é o mais óbvio: reduzir as emissões. Mas o que é certo é que isso não está a acontecer, e as temperaturas escalam acima das metas das organizações mundiais.

o investigador Mark Lawrence afirma que os potenciais benefícios económicos de uma ação política urgente no domínio do clima foram significativamente subestimados”. Agir é agora, porque acredita que “os impactos económicos das alterações climáticas poderão ser ainda piores“.

ZAP //

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