“Nunca mais toco nesta Casa da Música.” Manel Cruz junta-se aos precários após demissão do maestro Borges Coelho

foto: Janekpfeifer / wikimedia

São cada vez mais as vozes críticas contra a administração da Casa da Música pela forma como está a conduzir o processo dos profissionais precários da instituição. Depois da demissão do maestro Borges Coelho do conselho de administração, o músico Manel Cruz da banda Ornatos Violeta anunciou que não volta a tocar “nesta Casa da Música”.

“Nunca mais toco nesta Casa da Música.” É desta forma taxativa que Manel Cruz se pronuncia, nas redes sociais, sobre a polémica em torno dos precários na Casa da Música.

O artista de 45 anos que é irmão de um dos trabalhadores da sala de espectáculos do Porto que está a liderar os protestos, salienta que não quer “um cubo torto, a quem nasceu a forma antes do conteúdo”.

“Não sei em que outra casa poderei tocar, um dia… mas sei de muita gente a quem confiaria a solução. Gente que vê na música uma forma de tornar os nossos filhos mais libertos e autónomos”, escreve também numa publicação no Instagram que foi partilhada pelo perfil @comunidadeculturaearte.

Manel Cruz pede que sejam colocadas na direcção pessoas capazes de “verdadeiro compromisso, amor e dedicação”. “Verdadeiros gestores, desses que apontam a longo prazo, e fazem o povo aprender e não ser ensinado”, constata.

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Texto de Manel Cruz (@manel_e_depois_cruz)

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A última vez que Manel Cruz actuou na sala de espectáculos do Porto foi a 28 de Abril de 2019, no âmbito da apresentação do álbum a solo “Vida Nova”.

Maestro renuncia e critica ministra da Cultura

O maestro José Luís Borges Coelho, um dos representantes do Estado no Conselho de Administração da Casa da Música, anunciou esta quinta-feira à noite que renuncia ao cargo, na sequência da polémica relacionada com o trabalho precário neste equipamento cultural do Porto.

Num comunicado enviado à agência Lusa, um dos dois representantes do Estado no Conselho de Administração da Casa da Música fala em “desacordo solitário com o modo como tem vindo a ser conduzido o processo dos chamados ‘precários’ da Casa da Música”, e refere não ter recebido até hoje “o mais leve sinal da tutela”.

A agência Lusa contactou a Casa da Música, tendo fonte da instituição apontado que o Conselho de Administração “não tem conhecimento da noticiada renúncia do maestro José Luís Borges Coelho”.

Esta saída acontece depois de vários momentos polémicos recentes, nomeadamente um abaixo-assinado subscrito por 92 precários e dos quadros da Casa da Música, com data de 18 de Abril, que foi tornado público a 28 do mesmo mês, o qual relatava a existência de várias dezenas de trabalhadores a recibos verdes que ficaram sem qualquer remuneração pelos trabalhos cancelados, na sequência das medidas de contingência, devido à pandemia da covid-19.

A este abaixo-assinado, seguiu-se uma vigília silenciosa, a 01 de Junho, data que coincidiu com a reabertura da Casa da Música, tendo sido noticiado, no dia seguinte, com base no depoimento de uma das pessoas visadas, que cerca de 13 trabalhadores “precários” foram dispensados dos concertos que tinham sido alocados para o mês de Junho.

O mesmo trabalhador contou à Lusa, a 08 de Junho, que a Casa da Música tinha decidido recuar na decisão de dispensar assistentes de sala, mostrando-se “surpreendido” pela dispensa anunciada no início do mês, mas “mais surpreendido ainda” pelo ‘volte-face’ da instituição, atribuindo-o a “alguma pressão da comunicação social”.

Esta situação já motivou audições parlamentares das comissões de Trabalho e Segurança Social e da de Cultura e Comunicação, a pedido do Bloco de Esquerda e do PCP, nas quais estiveram já um conjunto de trabalhadores, bem como o presidente do Conselho de Administração da Casa da Música, José Pena do Amaral.

A agência Lusa também contactou o Ministério da Cultura, mas até ao momento não obteve resposta.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Não é um “Cubo torto”, mas sim um mamarracho que de 33 milhões de € passou a custar 111, 2 milhões. E como se diz (o que torto nasce nunca mais se endireita).

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