Nova versão de lentes de contacto inteligentes pode fornecer tratamento automaticamente

A nova tecnologia de lentes de contacto sem fios consegue medir a pressão ocular e solicitar medicação automaticamente – sem intervenção humana.

Uma tecnologia de lentes de contacto sem fios pode ajudar a tratar o glaucoma, monitorizando a acumulação de pressão dentro do olho e fornecendo medicamentos quando esta é demasiado elevada. Segundo a página New Scientist, o glaucoma afeta cerca de 80 milhões de pessoas em todo o mundo e é causado por drenagem insuficiente de líquido do olho, o que eleva a pressão ocular e pode danificar o nervo ótico que transmite sinais visuais para o cérebro.

Regra geral, a doença é tratada com medicamentos que ajudam a drenar o excesso de líquido do olho, administrado sob a forma de gotas oftálmicas. No entanto os doentes podem não cumprir o seu horário de tratamento, argumenta a equipa que desenvolveu esta nova solução, da Universidade Sun Yat-Set, na China.

Como tal, os investigadores conceberam um protótipo de um dispositivo de lentes de contacto capaz de detectar a pressão ocular e libertar medicamentos para o glaucoma quando estes são necessários. A camada exterior da lente tem seis pequenas placas de cobre dispostas num anel à volta da pupila que detecta a deformação ocular causada pelo aumento da pressão ocular.

Uma antena colocada perto do olho transmite posteriormente os dados para um computador próximo. A camada interior da lente – em contacto com a região da córnea do olho – é carregada com um fármaco que diminui a pressão, chamada brimonidina, libertado quando a lente recebe um sinal do computador através da antena.

Os investigadores testaram as suas lentes em coelhos sem glaucoma. Primeiramente demonstraram que o dispositivo podia monitorizar a pressão ocular nos animais e transmitir os dados sem fios para o computador externo. Depois, utilizaram o computador para transmitir, sem recurso a fios, um sinal para a lente de contacto que desencadeou a libertação de brimonidina.

Nessa altura, através os coelhos, descobriram que a pressão ocular dos animais tinha diminuído cerca de um terço após 30 minutos e mais de 40% após 2 horas, em média.

“A realização desta tecnologia para utilização no local de tratamento poderia revolucionar a vida de milhões de doentes com glaucoma”, descreve Ali Yetisen do Imperial College de Londres. “Seria uma adição maravilhosa às ferramentas do oftalmologista”. No entanto, serão ainda necessários mais estudos para avaliar o bom funcionamento do dispositivo nos seres humanos.

  ZAP //

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.