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Neandertais tinham tipos sanguíneos, tal como os humanos modernos

Tim Schoon / University of Iowa

Comparação de crânios de Homo Sapiens (esquerda) e Neandertal (direita)

Um novo estudo indica que os Neandertais, tal como nós, humanos modernos, também podiam ter outros tipos de sangue encontrados no sistema ABO.

De acordo com o site EurekAlert!, cientistas analisaram os genomas previamente sequenciados de um Denisovano e de três mulheres Neandertais que viveram entre há 100 mil e 40 mil anos, com o objetivo de identificar o seu grupo sanguíneo.

Dos cerca de 40 sistemas de grupos sanguíneos conhecidos, a equipa concentrou-se nos sete geralmente considerados para transfusões de sangue, dos quais os mais comuns são o sistema ABO (composto pelos tipos sanguíneos A, B, AB e O) e o Rh.

Embora durante muito tempo se tenha pensado que o Neandertais eram todos do tipo O (assim como os chimpanzés são todos do tipo A e os gorilas do tipo B), os investigadores descobriram que estes nossos antepassados já tinham a variabilidade ABO observada nos dias de hoje.

Segundo o mesmo site, uma análise extensiva que cobriu outros sistemas de grupos sanguíneos revelou alelos que são a favor das origens africanas dos Neandertais e Denisovanos.

Além disso, especialmente surpreendente é a descoberta de que os Neandertais possuíam um alelo Rh único, que não existe nos humanos modernos, com as exceções de um aborígene da Austrália e um da Papua-Nova Guiné.

Os investigadores sugerem que esta ligação pode ser uma evidência de cruzamento entre os Neandertais e os Homo sapiens antes de este último ter migrado para o Sudeste Asiático.

Por último, o estudo ajuda a esclarecer a demografia dos Neandertais, confirmando que estes hominídeos exibiam muito pouca diversidade genética e que podem ter sido suscetíveis a doenças hemolíticas do feto e do recém-nascido (devido à incompatibilidade Rh maternofetal) nos casos em que mães Neandertais tinham filhos de companheiros Homo sapiens ou Denisovanos.

Estas pistas reforçam a hipótese de que a baixa diversidade genética, juntamente com o baixo sucesso reprodutivo, contribuíram para o desaparecimento desta espécie humana.

O estudo foi publicado, a 28 de julho, na revista científica PLOS ONE.

  ZAP //

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