Nova missão da NASA: Humanos em Vénus a viver nas nuvens

Don P. Mitchell, Paolo C. Fienga / Lunar Explorer Italia / IPF / Soviet Space Agency

Aspecto da superfície e do céu de Vénus tal como captados pela sonda Venera 13

Apesar de ser um planeta de temperaturas infernais, de atmosfera tóxica e pressões esmagadoras à superfície, a NASA está a trabalhar numa missão tripulada para Vénus – a High Altitude Venus Operational Concept (HAVOC).

A NASA pretende levar o Homem a Vénus, porém há uma série de obstáculos que precisam de ser ultrapassados para que a missão HAVOC seja bem sucedida.

As temperaturas em Vénus chegam a atingir os 460ºC, sendo mais quente do que Mercúrio, mesmo estando Mercúrio mais perto do Sol – a temperatura de um planeta não depende só da proximidade do Sol, mas também da superfície e da atmosfera.



As temperaturas registadas em Vénus chegam a ser mais altas do que o ponto de fusão de alguns metais, incluindo o bismuto e o chumbo, que chegam a cair como neve em alguns pontos deste planeta.

A atmosfera de Vénus é composta por 97% de dióxido de carbono, 3% de nitrogénio e ainda conta com alguns vestígios de outros gases.

Quanto à superfície, Vénus não passa de uma paisagem rochosa estéril composto por vastas planícies de rocha basáltica de características vulcânicas.

O planeta, geologicamente jovem, também passou por recentes eventos catastróficos causados pela acumulação de calor por debaixo da superfície que leva a que esta derreta, liberte calor e volte a solidificar.

Feita a descrição deste curioso planeta que ainda surpreende astrónomos, a questão é saber como é que a NASA pretende conduzir uma missão tripulada a este planeta infernal.

A missão

Como a superfície de Vénus é caótica, a ideia da NASA não inclui qualquer aterragem na superfície e utilizará a atmosfera densa como base para a exploração – o plano é utilizar aeronaves que possam permanecer suspensas na atmosfera superior por longos períodos de tempo.

Surpreendentemente, a atmosfera superior de Vénus é o local mais semelhante à Terra no Sistema Solar – entre os 50km e os 60km de altura, a pressão e a temperatura de Vénus podem ser comparadas a regiões da baixa atmosfera da Terra. A pressão atmosférica de Vénus a 55km de altura é cerca de metade da pressão ao nível do mar na Terra.

Esta pressão, sentida a essa altura, não obriga os seres humanos a utilizar qualquer equipamento de pressurização pois é aproximadamente equivalente à pressão sentida no topo do Monte Kilimanjaro.

Quanto à temperatura a esta altura, os astrónomos afirmam que esta situa-se entre os 20ºC e os 30ºC, um valor muito aceitável para os seres humanos.

Curiosamente, a atmosfera acima destas altitudes (50km-60km), é densa o suficiente para proteger qualquer astronauta da radiação ionizante do espaço.

A proximidade do planeta ao Sol fornece ainda uma maior taxa de radiação solar do que na Terra (cerca de 1,4 vezes superior) o que poderá ser utilizado para produzir energia.

A aeronave

Segundo o conceito da Nasa, o dirigível flutuaria à volta do planeta, soprado pelo vento, e poderia ser enchido com uma mistura de gás respirável como oxigénio e nitrogénio que proporcionaria flutuabilidade necessária – o ar respirável é menos denso do que a atmosfera de Vénus e, como resultado, o dirigível conseguiria flutuar.

A ter em conta nesta ideia da NASA está também o material do dirigível que necessita de ser resistente ao efeito corrosivo do ácido existente na atmosfera.

A atmosfera de Vénus é conhecida por conter ácido sulfúrico que cria umas nuvens densas que são um dos principais contribuintes para o brilho visível do planeta quando visto da Terra. Atualmente já existem no mercado vários materiais comerciais com uma alta resistência à acidez como é o caso do teflon.

Contudo, a missão é ainda um plano de longo prazo e a NASA ainda não anunciou publicamente qualquer data para o HAVOC que contará, primeiro, com pequenas missões de teste. Apesar de ser o nosso vizinho planetário mais próximo, pouco se sabe sobre este planeta ao que tudo indica inóspito.

A missão poderá revelar mais dados sobre o planeta e ajudar ainda a entender a evolução do Sistema Solar e talvez até mesmo de outros sistemas.

ZAP // LiveScience

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