Na estabilização financeira do CDS, as sedes dadas como garantia à banca e as que, afinal, não o são estão a dificultar a tarefa

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José Coelho / Lusa

Partido está a tentar fazer um ponto da situação da sua situação financeira, com o património imobiliário a representar uma das últimas esperanças dos centristas para se manterem à tona.

O CDS está a dar continuidade ao seu projeto plano de efetuar um levantamento do património do partido, tendo convocado os presidentes das distritais para conhecer as condições das várias sedes espalhadas pelos concelhos do país e quais os planos para as mesmas. Para além do ponto da situação, escreve o Público, a reunião também terá servido para verificar a veracidade do inventário feito pela anterior direção. No entanto, as notícias que dali saíram não foram positivas.

A mesma fonte escreve que parte das sedes foram dadas como garantias aos bancos em empréstimos anteriores e a de Paredes, vista como o imóvel mais valioso, não pertence na realidade aos centristas. De facto, a subvenção estatal de 25 mil euros por mês parece não ser suficiente para as despesas de um partido que já integrou diversos governos portugueses e que atualmente não dispõe de representação parlamentar.

No entanto, os problemas não são recentes, já que as estratégias de contenção de custos e de procura de financiamento já remontam a algumas direções. Em 2019, o CDS recorreu à banca, tendo conseguido um empréstimo superior a 700 mil euros, verba que serviu para suportar os custos das eleições. O mau resultado eleitoral, em comparação com o conquistado em 2015, não estava nos planos, pelo que o primeiro grande precalço financeiro aconteceu aí.

Posteriormente, e já com Francisco Rodrigues dos Santos na liderança. o partido recorre novamente à banca, numa ocasião que serviu para renegociar a dívida existente. “Era de 1 milhão  e 200 mil euros, 700 mil de passivo bancário e 400 mil de dívida a fornecedores”, adiantou Francisco Tavares, antigo secretário-geral do CDS. No entanto, nesta ocasião a direção deu como garantia algumas das suas melhores sedes – à exceção da de Paredes, edifício de quatro andares e avaliado em 1 milhão de euros.

O motivo foi apenas conhecido agora: na realidade, o edifício não pertence ao CDS, mas à Associação Democrata-Cristã Adelino Amaro da Costa (ADCAAC), fundada por um grupo de militantes e simpatizantes do CDS. Ao jornal Público, Jorge Ribeiro da Silva, vice-presidente da concelhia de Paredes, explicou que “há um acordo de cavalheiros entre o CDS e a a associação e que permite que a sede funcione no edifício, que é propriedade da ADCAAC”.

O jornal especifica que, apesar de o partido usar o edifício, não o pode naturalmente vender porque este não é propriedade sua. No entanto, no partido há quem acredite que a estrutura pode passar para a mão dos centristas, através e “muita negociação“. “Esta sede pode ser o balão de oxigénio que o partido precisa para ter liquidez”, disse fonte do CDS à mesma fonte.

  ZAP //

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