Já é possível prever quais as mulheres que poderão ter complicações graves na gravidez

Os métodos atuais para diagnosticar complicações numa gravidez não são sensíveis nem confiáveis ​​o suficiente para identificar todas as gestações de risco. Agora, cientistas descobriram uma forma de testar os níveis hormonais na placenta para prever que mulheres terão complicações graves durante a gravidez.

As complicações na gravidez afetam cerca de uma em cada dez mulheres grávidas e, por norma, só são diagnosticadas durante o segundo ou terceiro trimestre da gestação. Agora, já é possível identificar precocemente as mulheres que podem sofrer complicações na gravidez, através da análise dos níveis hormonais da placenta.

As complicações surgem quando o corpo da mãe não é capaz de se adaptar ao crescimento do bebé, o que pode provocar restrição do crescimento fetal, crescimento excessivo do feto, diabetes gestacional ou pré-eclâmpsia.

Isto pode causar trabalhos de parto difíceis, com necessidade de maior intervenção médica e possíveis problemas que persistem ao longo da vida do bebé, como diabetes, problemas cardíacos e obesidade.

Os métodos atuais para diagnosticar distúrbios da gravidez não são sensíveis ou confiáveis ​​o suficiente para identificar todas as gestações de risco, escreve a Science Daily.

Agora, cientistas descobriram uma forma de testar os níveis de hormonas na placenta para prever quais as mulheres que terão complicações graves na gravidez.

“O corpo feminino é extraordinário e, desde o momento da conceção, precisa de mudar quase todos os sistemas de órgãos para que o feto se possa desenvolver. O feto também precisa de nutrientes e oxigénio para crescer, por isso a mãe tem de alterar o seu metabolismo e sistema vascular para que os possa fornecer”, disse Amanda N. Sferruzzi-Perri, autora do novo estudo, publicado esta terça-feira na Nature Communications Biology.

“Sabemos que a placenta impulsiona muitas das mudanças no corpo da mulher durante a gravidez e o nosso estudo descobriu que os biomarcadores hormonais da placenta podem indicar quais as mulheres que poderão ter complicações na gravidez”, continuou.

Normalmente, as mulheres só são diagnosticadas com complicações durante o segundo ou terceiro trimestre de gravidez – altura em que já podem ter causado graves consequências para a saúde da mãe e do bebé -, mas esses biomarcadores “estão presentes desde o primeiro trimestre”.

“Esta é uma descoberta muito importante, visto que as complicações na gravidez afetam cerca de uma em cada dez mulheres grávidas e, geralmente, são diagnosticadas tarde demais, quando já estão a causar problemas no corpo da mãe e no desenvolvimento fetal”, explicou Sferruzzi-Perri.

Como é difícil estudar a placenta de mulheres grávidas, a equipa de investigadores usou ratos para observar as proteínas produzidas pela placenta, e comparou-as com amostras de sangue de mulheres que tiveram gestações sem interferências e de outras que desenvolveram diabetes gestacional.

Os investigadores desenvolveram, então, novos métodos para isolar e estudar as células endócrinas – responsáveis ​​pela secreção de hormonas durante a gravidez – na placenta de camundongos e traçaram o perfil da placenta para identificar as hormonas secretadas.

Com esses dados, foi criado um mapa de proteínas da placenta de ratos que foi, mais tarde, comparado com conjuntos de dados de estudos da placenta humana e de gravidezes. Daí, resultaram muitas sobreposições biológicas.

“Descobrimos que cerca de um terço das proteínas que identificamos se alteraram durante a gravidez em mulheres que tiveram complicações. Usando um pequeno estudo para testar se essas proteínas placentárias tinham valor clínico, também descobrimos que níveis anormais de hormonas já estavam presentes no sangue da mãe no primeiro trimestre – semana 12 de gestação – em mulheres que desenvolveram diabetes gestacional, uma complicação da gravidez geralmente diagnosticada entre as 24 e as 28 semanas”, explicou Sferruzzi-Perri.

“Também identificamos vários fatores de transcrição específicos – proteínas dentro da célula que ativam ou desativam genes – que provavelmente controlam a produção de hormonas placentárias, que têm implicações importantes para a compreensão de como podemos melhorar o desfecho da gravidez”, disse.

Esses biomarcadores genéticos, de acordo com o estudo, são detetáveis ​​durante a gravidez e podem ser identificados em amostras de sangue colhidas no início da gravidez, o que pode levar a um diagnóstico precoce de complicações, permitindo que o tratamento comece mais rapidamente.

Claire Meek, médica especialista em diabetes na gravidez, disse que “esta forma de diabetes induzida pela gravidez causa o crescimento acelerado do bebé e complicações no momento do parto”.

“Infelizmente, algumas mulheres já apresentam sinais de um bebé grande no momento do diagnóstico, às 28 semanas. Este novo teste pode ser capaz de identificar o diabetes gestacional no início da gravidez, dando a oportunidade de prevenir a doença e de proteger mães e bebés das complicações mais prejudiciais”, acrescentou.

“Este trabalho fornece uma nova esperança de que uma melhor compreensão da placenta resultará em gestações mais seguras e saudáveis ​​para mães e bebés. A nossa equipa está agora a trabalhar para avaliar se as descobertas podem melhorar os cuidados clínicos no futuro, seja por meio de diagnóstico precoce ou para fornecer novas oportunidades para tratar essas complicações, através da placenta”, concluiu a autora principal do estudo.

Sofia Teixeira Santos, ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Boas Tardes novamente senhores jornalistas e editores venho informar de que o problema que eu detetei esta corrigido não sei o que se passou mas como eu utilizo muito o browser que referi anteriormente, o problema que dava era que abria a noticia, mas só dava para ver a imagem e não dava para ler o texto, e era preciso rolar a pagina para baixo, mas como disse entretanto o problema foi corrigido, pelo que agradeço a atenção dispensada, por isso desejo-vos a continuação de um Bom Dia.

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