O movimento Me Too está a chegar aos blocos operatórios

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À medida que o NHS (serviço nacional de saúde britânico) procura curar e cuidar, enfrenta agora um desafio de introspecção, impulsionado por revelações alarmantes.

Uma pesquisa divulgada esta semana revelou amplo problema de má conduta sexual dentro da profissão cirúrgica, causando ondas de choque e indignação em todo o Reino Unido.

Relatos angustiantes de médicas a ser assediadas, agredidas e até mesmo violadas pelos seus colegas, destacam um problema urgente que deve ser abordado.

O estudo, publicado no British Journal of Surgery, revelou que impressionantes 63% das cirurgiãs foram assediadas, enquanto 30% foram agredidas sexualmente por colegas nos últimos cinco anos. Ainda mais perturbador, 11% relataram contato físico forçado relacionado a oportunidades de progressão na carreira.

Além destas estatísticas austeras, surgiram relatos de mulheres a ser tocadas de forma inadequada sob os seus uniformes e cirurgiões masculinos a menosprezar as colegas femininas usando os seus seios para limpar o suor. Tais atos degradantes foram abertamente partilhados em várias plataformas, notadamente no X (anteriormente Twitter), enfatizando que não eram ocorrências isoladas.

As narrativas partilhadas nas redes sociais e meios de comunicação sublinham o fato de que tal má conduta não se limita às salas de operação e vai além das paredes do hospital, permeando conferências, outros espaços profissionais e até mesmo a vida quotidiana.

Isto reflete as descobertas relatadas no início deste ano, publicadas no Guardian, que identificaram muitos casos de má conduta sexual, acordos caros do NHS e queixas muito abaixo da realidade.

Embora muitos tenham ficado chocados com a prevalência relatada, e organizações profissionais de todo o setor de saúde tenham condenado veementemente a má conduta sexual, um comentário de um médico reformado que rotolou as cirurgiãs queixosas como “flocos de neve” e apelou os profissionais de saúde a “endurecerem” juntou-se ao entendimento público da profundidade dos problemas enfrentados.

Embora este comentário tenha sido rapidamente condenado, ele apontou para uma cultura enraizada de desconsiderar “brincadeiras” sexuais, assédio e agressão. O Conselho Médico Geral, que regula as profissões médicas, implementou e anunciou amplamente políticas de tolerância zero, mas está claro que isso não erradicou o problema.

À luz das perturbadoras revelações sobre a má conduta sexual generalizada, o imperativo é claro: é necessária uma ação decisiva e imediata. Mas que passos são essenciais para transformar esta cultura de assédio e impunidade?

Decreto concreto

Primeiramente, o foco tem sido em políticas firmes de tolerância zero. Criticamente, isso não deve ser apenas uma palavra da moda, mas um decreto concreto. As instituições devem garantir que tenham políticas em vigor, publicamente disponíveis, que assegurem que até a menor má conduta incorrerá em repercussões, que variam desde a suspensão até consequências legais.

Paralelamente a isso, é primordial estabelecer sistemas de denúncia transparentes. Estes devem garantir que as queixas não sejam ignoradas nem levem a qualquer retaliação contra os denunciantes. A proteção para denunciantes e vítimas é de grande importância. A nova Carta de Segurança Sexual do NHS começa este trabalho.

Contudo, além destas políticas, a cultura em si precisa de uma mudança fundamental. Enquanto a condenação da má conduta é generalizada, a resposta mais ampla sublinha o significado da responsabilidade coletiva. Num ambiente onde cada pessoa, independentemente do seu papel ou experiência, é movida pelo compromisso de manter o respeito mútuo e o decoro profissional, a probabilidade de comportamento inadequado diminui.

É essencial compreender que combater o assédio não é uma busca solitária, mas um esforço conjunto. Criar uma cultura onde as pessoas se sintam empoderadas para denunciar incidentes, respaldadas pela garantia de apoio coletivo, é vital.

De facto, as recentes divulgações, embora alarmantes, também apresentam uma oportunidade para mudança. A força combinada de tal treino, juntamente com a responsabilidade coletiva e políticas inflexíveis de tolerância zero, pode criar um novo modelo para o comportamento profissional, garantindo que o NHS e setores relacionados se tornem refúgios de segurança, respeito e dignidade para todos.

5 Comments

  1. Seria bom perceber qual é a opinião sobre isto tudo, daquelas senhoras que, sem mérito nenhum, subiram na horizontal ao topo ou a posições de relevo em organismos públicos nacionais. E são mais que muitas. Ai não haverá também um metoo?!

  2. anatomia de grey…nao ha nada disso…e sao todos felizes…ja todos deram a volta a todos, alguns repetiram…ate gajos com gajos e gajas com gajas…deixeim se de tretas…ahahahah

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