Morreu o biólogo que foi durante 20 anos espião da União Soviética em Israel

d.r. Theo Chalmers

"Eu sou e sempre fui um comunista". Marcus Klingberg , o espião mais bem sucedido da União Soviética em Israel

“Eu sou e sempre fui um comunista”. Marcus Klingberg , epidemilogista polaco e o espião mais bem sucedido da União Soviética em Israel, fotografado em 1995 por Theo Chalmers

O homem que foi considerado o espião da União Soviética mais bem-sucedido em Israel, antes de ser desmascarado há mais de 30 anos, morreu em Paris, com 97 anos, informou esta terça-feira a sua filha.

Israel sentenciou Marcus Klingberg a 20 anos de prisão em 1983, por ter passado informação a Moscovo sobre a sua pesquisa de armas biológicas.

Até serapanhado, com a ajuda de um agente duplo, Klingberg foi vice-diretor do Instituto de Investigação Biológica israelita, onde durante mais de 20 anos conseguiu evitar ser detetado.

O seu caso foi tão sensível que a sua detenção e julgamento foram mantidos em segredo durante mais de uma década.

Enquanto estava detido sob um nome falso e em regime de solitária, as questões levantadas pelo seu desaparecimento eram respondidas com a informação de que estava internado num hospital psiquiátrico, “algures na Europa”.

A filha, Sylvia Klingberg, disse à AFP que o pai “foi um comunista que agiu com convicção e gratidão para com o Exército Vermelho, por o ter autorizado a combater os nazis, que massacraram toda a sua família na Polónia”.

Marcus Klingberg manteve sempre a justificação de que a sua motivação para espiar era ideológica e não financeira.

Nascido em Varsóvia, numa família judaica ultraortodoxa, Klingberg saiu da Polónia durante a invasão nazi, em 1939, e foi para a União Soviética, onde estudou medicina.

Em 1941, depois de as tropas alemãs terem invadido a União Soviética, alistou-se no Exército.

Quando regressou à Polónia, descobriu que os seus pais e irmão tinham morrido num campo de concentração.

Emigrou então para a Suécia e depois para Israel, pouco depois da criação do Estado israelita em 1948.

Foi incorporado nos serviços de saúde do Exército israelita, onde atingiu o posto de tenente-coronel e se especializou em epidemiologia, integrando um instituto biológico israelita ‘top-secret’, localizado em Nes Ziona, a sul de Telavive, em 1957.

As suspeitas israelitas começaram a ficar focadas em si em 1963, apesar de haver sugestões de que a sua espionagem começou muito antes, mas só foi detido 20 anos depois, em 1983, com a intervenção de um agente duplo, com o nome de código Samaritano.

O serviço de informações interno israelita Shin Bet organizou-lhe uma viagem ao estrangeiro, mas em vez de ir para o aeroporto, Klingberg foi levado para um apartamento isolado, onde foi interrogado durante dias, até que assinou uma confissão.

Sentenciado a 20 anos de encarceramento, foi colocado em prisão domiciliária depois de ter cumprido 15.

Em 2003 foi autorizado a viver com a filha em Paris, onde morreu esta segunda-feira.

Nas suas memórias, publicadas este ano e intituladas “The Last Spy”, Klingberg diz que o que mais o perturba “foi a vergonha e o arrependimento. Não por ter espiado para a União Soviética, não”.

“A minha sensação de humilhação vem do facto de eles me terem quebrado“, diz Klingberg.

/Lusa

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