“Monstro das bolachas cósmico”. Estrela de neutrões captada a devorar matéria de outra estrela pela primeira vez

(dr) University of Michigan

A descoberta é uma das mais importantes no ramo da astrofísica. Foram usados 10 telescópicos e o estudo foi uma colaboração entre 11 investigadores de várias universidades.

Um novo estudo publicado na Nature relata a captura inédita de uma estrela de neutrões a devorar uma outra estrela na sua proximidade. A pesquisa foi levada a cabo na Universidade de Southampton por uma equipa de investigadores de 11 países e exigiu 10 telescópios.

Os cientistas debruçaram-se sobre a erupção do binário raio-X conhecido como Swift J1858, explica o Interesting Engineering. O estudo recorreu a uma grande variedade de telescópios espaciais, como o Hubble da NASA, o XMM-Newton da Agência Espacial Europeia, o Telescópio Muito Grande e o Grande Telescópio das Canárias, do Observatório Europeu do Sul.

“Desta vez tivemos a sorte cósmica do nosso lado e conseguimos coordenar dez telescópios e apontá-los para o J1858 enquanto ele estava totalmente ativo. Isto permitiu-nos obter muito mais informação já que podemos usar técnicas diferentes em comprimentos de onda diferentes”, afirma Hernández Santisteban, da Universidade de St. Andrews e co-autor do estudo.

A estrela de neutrões conseguiu consumir tanta matéria da outra estrela porque a sua força gravitacional é tão forte que lhe permite absorver gás de outras estrelas. Mas as estrelas de neutrões não se limitam a sugar este gás, visto que também o enviam pelo Espaço fora a alta velocidade.

Para a co-autora Nathalie Degenaar, da Universidade de Amesterdão, estas estrelas de neutrões são “canibais estelares” e “monstros das bolachas cósmicos” que fazem uma confusão quando comem. A descoberta é uma das mais importantes nos últimos tempos no ramo da astrofísica.

“As erupções como esta são raras e cada uma delas é única. Normalmente são fortemente obscurecidas pelo pó interestelar, o que torna a sua observação muito difícil. Swift J1858 foi especial porque apesar de estar localizada no outro lado da nossa galáxia, a sua obscuração foi pequena o suficiente para permitir um estudo completo com vários comprimentos de onda”, remata Noel Castro Segura, autor principal do estudo e investigador da Universidade de Southampton.

  ZAP //

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