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Meteorito antigo é a primeira prova da convecção vulcânica em Marte

ESA / DLR / FU Berlin

Imagem captada no dia 1 de janeiro de 2018 pela Câmara de Alta Resolução da Mars Express da ESA

Os cientistas pensaram, durante vários anos, que Marte estava morto. No entanto, várias evidências começaram a sugerir que o Planeta Vermelho é vulcânica e geologicamente ativo.

A ideia de que Marte era um planeta vulcanicamente ativo acaba de se tornar ainda mais real. Um meteorito, que se formou nas profundezas do Planeta Vermelho, acaba de fornecer a primeira prova química de convecção de magma dentro do manto marciano.

Os cristais de olivina encontrados no meteorito de Tissint podem ter-se formado devido a mudanças de temperatura, enquanto o material era “remexido” por correntes de convecção do magma. Os cientistas dizem que isto prova que Marte era vulcanicamente ativo quando os cristais se formaram, entre 574 e 583 milhões de anos atrás.

Nicola Mari, geólogo da Universidade de Glasgow, na Escócia, explica que este estudo, cujo artigo científico foi recentemente publicado na Meteoritics & Planetary Science, prova a existência de atividade no interior deste planeta de um ponto de vista puramente químico.

A olivina, que se forma quando o magma arrefece, é um dos minerais mais abundantes na crosta terrestre e muito comum em meteoritos.

O cientista explica que, na câmara de magma onde os cristais do meteorito de Tissint se formaram, “a corrente de convecção era tão vigorosa que as olivinas foram arrastadas do fundo da câmara (a região mais quente) para o topo (a mais fria) muito rapidamente. A taxa de arrefecimentos das olivinas variava entre 15 a 30ºC por hora“.

Ao Science Alert, Mari disse acreditar que “Marte ainda pode ser um mundo vulcanicamente ativo, e estes resultados apontam para isso mesmo“. “Podemos não ver uma erupção vulcânica em Marte nos próximos cinco milhões de anos, mas isso não significa que o planeta esteja inativo. Pode só significar que o tempo entre as erupções em Marte e na Terra é diferente.”

Os traços de níquel e cobalto encontrados nos cristais sugerem que se formaram a uma profundidade entre 40 e 80 quilómetros sob a crosta de Marte. Com estes dados, os cientistas podem calcular a pressão sob a qual os cristais se formaram, e, consequentemente, a temperatura do manto de Marte na época – estimada em 1.560ºC.

Esta temperatura é muito semelhante à do manto da Terra, entre 4 e 2,5 mil milhões de anos atrás, estimada em 1.650ºC. Este detalhe dá força à teoria de que Marte pode ser vulcanicamente ativo. Ainda assim, serão necessárias mais pesquisas para corroborar esta hipótese.

  ZAP //

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