Meloni fez de Milei um cidadão italiano — e “insultou” milhões de filhos de Itália

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ANSA/ PALAZZO CHIGI/EPA

A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni (à direita) a receber o presidente argentino Javier Milei (à esquerda) no Palácio Chigi, em Roma, Itália

Presidente argentino foi informado do benefício pela primeira-ministra italiana durante visita oficial. Oposição criticou “discriminação” da parte do governo, que se opõe à naturalização de imigrantes.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, enfrentou críticas este sábado após conceder a cidadania italiana ao presidente da Argentina, Javier Milei, durante uma visita oficial do argentino a Roma.

Políticos da oposição compararam o tratamento dado a Milei com as dificuldades enfrentadas por pais imigrantes em garantir o mesmo direito para os filhos nascidos em Itália.

Meloni recebeu o presidente argentino no Palazzo Chigi, em Roma, na sexta-feira, para uma reunião bilateral focada na cooperação comercial, judicial e de segurança. Na ocasião, informou-o de que tinha recebido o estatuto de cidadão italiano.

Três dos avós de Milei eram italianos e emigraram de Itália para a Argentina no início do século XX. Há alguns meses, Milei afirmou ser “75% italiano”.

Segundo a agência de notícias italiana Ansa, a análise da cidadania do presidente argentino foi realizada por meio de um processo acelerado e exclusivo. A irmã de Milei, Karina, que é Secretária-Geral da Presidência da Argentina, também beneficiou do mesmo estatuto.

Milei está ainda no país europeu para participar num festival organizado pelo partido de extrema-direita da primeira-ministra, os Irmãos de Itália. No mês passado, o argentino ofereceu a Meloni uma estatueta de si próprio a segurar uma motosserra – uma referência a uma cena protagonizada por ele durante a última campanha eleitoral.

“Discriminação”

Um deputado do partido da oposição +Europa, Riccardo Magi, afirmou que a concessão da cidadania a Milei foi um “insulto” e um ato de “discriminação intolerável contra tantos jovens que só a obterão após muitos anos”.

O direito à cidadania italiana é transmitido por laços de sangue, ou seja, não basta nascer no país para ser oficialmente italiano. Para solicitar a cidadania por naturalização, os imigrantes têm de viver em Itália por pelo menos 10 anos. Já as crianças nascidas em território italiano, mas cujos pais são estrangeiros, não podem solicitar a cidadania antes de completarem 18 anos.

Partidos da oposição e a sociedade civil têm vindo a fazer campanha para reduzir este período de 10 para 5 anos, num movimento semelhante ao adotado pela Alemanha, mas a coligação de Meloni opõe-se a qualquer flexibilização das regras relativas à imigração.

Num vídeo publicado nas redes sociais, Magi afirmou que, para “milhões de italianos sem cidadania que nasceram em Itália, que cresceram no nosso país, que estudaram aqui, que trabalham aqui, que pagam impostos no nosso país – ao contrário do presidente Milei – obter a cidadania italiana continuará a ser uma provação”.

ZAP // DW

2 Comments

  1. JORNALISMO PORTUGA:

    QUEM OFENDEU OS ITALIANOS E DEUS DESCENDENTES PELO MUNDO FOI A CORJA VERMELHA PETRALHA DO BRASIL, AO ABRIGAR O TERRORISTA CESARE BATTISTI.

    UM DOS MINISTROS CRIMINOSOS DO SUPREMO TRIBUNAL BRASILEIRO FOI ACONSELHADO PELO EMBAIXADOR À NÃO ENTRAR NA ITÁLIA.

    O PeçonhenTo NÃO ARRISCOU.

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    • 1. Escreveu tudo a grande como se estivesse a gritar. Por que? Alguém aqui lhe ofendeu?
      2. “Deus descendentes”? Que raios é isso? Está na bíblia?
      3. Sim, o Brasil abrigou terroristas, assassinos da segunda guerra (Dr. Josef Mengele), e é um dos únicos países da América Latina a conceder amnistia a seus torturadores do regime militar. Ou seja, abrigar o Cesare Battisti não me choca.
      4. Ministros criminosos? Não percebi. Eles foram julgados e condenados ou é apenas a opinião de uma pessoa que acha normal acusar os outros de criminosos, apenas porque lhe apetece e acordou de mau humor?
      5. Atitudes assim, envergonham os milhares de brasileiros trabalhadores de bem que vivem em Portugal.

      Não grite, sff. O mínimo que exige-se aqui é um comportamento civilizado.

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