A prova que precisava: Sim, as máscaras protegem contra a covid-19 (mas há uma predileta)

As máscaras funcionam? Se sim, será melhor utilizar uma N95, uma máscara cirúrgica ou uma máscara de pano?

No último ano e meio, os investigadores produziram muitas evidências laboratoriais sobre a eficácia das máscaras. Para muitas pessoas, é compreensível que seja difícil acompanhar o que funciona e o que não funciona.

Recentemente, um ensaio clínico testou a eficácia do uso de máscaras. O estudo ainda não foi revisto por pares, mas foi bem recebido pela comunidade médica. O que os investigadores descobriram fornece evidências que confirmam estudos anteriores: o uso de máscaras, especialmente máscaras cirúrgicas, previne a covid-19.

Durante a pandemia do coronavírus, o foco tem sido as máscaras como forma de evitar que pessoas infetadas contaminem o ar ao seu redor. Evidências laboratoriais recentes sustentam esta ideia.

Em abril de 2020, cientistas mostraram que as pessoas infetadas com um coronavírus — mas não com o SARS-CoV-2 — exalaram menos RNA do coronavírus no ar ao seu redor se usassem uma máscara. Uma série de estudos laboratoriais adicionais também corroboraram a eficácia das máscaras.

No mundo real, muitos epidemiologistas examinaram o impacto das máscaras e das políticas de uso de máscara para ver se ajudam a retardar a disseminação da covid-19.

Um estudo observacional publicado no final de 2020 analisou dados demográficos, testes, confinamentos e uso de máscara em 196 países. Os investigadores descobriram que, depois de controlar outros fatores, os países com normas culturais ou políticas que apoiavam o uso de máscara viram a mortalidade per capita por coronavírus aumentar apenas 16% durante os surtos, em comparação com um aumento semanal de 62% em países sem normas de uso de máscara.

Estudos laboratoriais, observacionais e de modelagem têm sustentado consistentemente o valor de muitos tipos de máscaras. Mas essas abordagens não são tão fortes quanto os ensaios clínicos aleatórios em grande escala entre o público em geral, que comparam grupos após a intervenção ter sido implementada em alguns grupos selecionados aleatoriamente e não implementada em grupos de comparação.

De novembro de 2020 a abril de 2021, uma equipa de investigadores em estreita colaboração com parceiros do governo de Bangladesh e da organização sem fins lucrativos Innovations for Poverty Action, conduziu um estudo aleatório em grande escala no Bangladesh.

Os objetivos eram aprender as melhores maneiras de aumentar o uso de máscara sem que fosse obrigatório, compreender o efeito do uso da máscara na covid-19 e comparar as máscaras de tecido e as máscaras cirúrgicas.

O estudo envolveu 341.126 adultos em 600 aldeias na zona rural de Bangladesh. Em 300 aldeias não foi promovido o uso de máscara e as pessoas continuaram a usar máscara, ou não, como antes. Em 200 aldeias, o uso de máscara cirúrgica foi promovido e em 100 aldeias foi promovido o uso de máscara de pano.

Ao longo de oito semanas, a equipa distribuiu máscaras gratuitas, forneceu informações sobre os riscos da covid-19 e o valor do uso de máscara. Também trabalharam com líderes comunitários e religiosos para promover o uso de máscara e contrataram funcionários para andar pela aldeia e pedir educadamente às pessoas para usarem máscara.

A equipa à paisana registou se as pessoas usavam máscaras adequadamente sobre a boca e o nariz, de maneira inadequada ou não usavam de todo.

Máscaras reduziram infeções de covid-19

O uso de máscara mais do que triplicou, de 13% no grupo que não recebeu máscaras para 42% no grupo que recebeu. Curiosamente, o distanciamento social também aumentou 5% nas aldeias onde promoveram o uso de máscara.

Nas 300 aldeias onde foi distribuído qualquer tipo de máscara, foi observada uma redução de 9% na incidência da covid-19 em comparação com as aldeias onde não foi promovido o uso de máscara. Devido ao pequeno número de aldeias onde foi promovido o uso de máscara de pano, os cientistas não foram capazes de dizer se as máscaras de pano ou cirúrgicas eram melhores na redução da propagação da covid-19.

O estudo contou com uma amostra grande o suficiente para determinar que nas aldeias onde foram distribuídas máscaras cirúrgicas, a incidência de covid-19 caiu 12%. Nessas aldeias, a covid-19 caiu 35% em pessoas com 60 anos ou mais e 23% em pessoas com 50-60 anos. Ao observar sintomas semelhantes aos da covid-19, os cientistas descobriram ainda que as máscaras cirúrgicas e de pano resultaram numa redução de 12%.

Este estudo fornece fortes evidências de que as máscaras cirúrgicas reduzem a covid-19, especialmente em adultos mais velhos que enfrentam taxas mais altas de morte e invalidez se forem infetados.

  ZAP // The Conversation

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9 COMENTÁRIOS

  1. As máscaras são como um ladrão assaltar um banco com uma pistola de água .
    No caso dos vírus , partículas minúsculas a comparar com as bactérias … não tem eficácia alguma , apenas sugere confiança a quem utiliza , o mesmo que utilizar um preservativo furado para não engravidar ou apanhar HIV .
    Muitas mortes em Portugal e infeções aconteceram porque o Governo obrigou as pessoas a utilizarem um método que permitiu 88 % as mesmas fossem contaminadas .
    Não se tenham dúvidas que aturam como genocidas da população em pró da Economia e para aramarem-se em coitadinhos a fim de irem gamar e aviarem-se na “bazuca” , eles , os primos e amigos .
    Em vez de fecharem as pessoas em casa como deve ser e não a brincar … mataram pessoas as enganando e continuam naquele lema já conhecido dos NAZIS :
    “Arbeit Macht Frei”
    Apenas reduz 12 % !
    Mas em Portugal , impera agora a nova era Perón , um dia promete lição outro diz que ganhou . Pois claro , ganhou sim , criando um Estado Oligárquico onde antes quem se metia com o PS levava , agora é perseguido como se tivéssemos no regime de Putin .

  2. Não.

    As máscaras nunca evitaram contágios por virus respiratórios como bastantes meta estudos a ensaios revistos por pares assim o confirmam, antes (para a influenza) e durante o covid.

    Para saber mais consultem os seguintes artigos que descrevem e têm links para esses mesmos meta estudos e ensaios nomeadamente o maior de todos feito durante o covid na Dinamarca.

    – [Are Face Masks Effective? The Evidence. – Swiss Policy Research](https // swprs . org / face-masks-evidence)
    – [The Face Mask Folly in Retrospect – Swiss Policy Research](https // swprs . org / the-face-mask-folly-in-retrospect)

  3. Nos EUA, também ainda no ano passado, um estudo veio declarar que 74% das pessoas infectadas usavam sempre máscara!…

    As máscaras foram e são um instrumento politico para aterrorizar as pessoas e “obrigarem-se” a injectar com substâncias experimentais.

    Tenho uma empresa de construção civil, com 15 pessoas permanentemente a trabalhar em vários locais, com várias condições, e que tem máscaras “a sério” para as diversas actividades. E todas elas que nós usamos são realmente certificadas e nenhuma delas protege contra virús algum.

    E podem crer que de vez em quando algum de nós fica engripado, e vai trabalhando até aguentar… e não manda todos os colegas para o hospital!

    E o patrão desta gente toda tem 76 anos e sempre continuou a trabalhar junto dos empregados.

    E tem bronquite asmática!

    Abram os olhos e… o sorriso!

    Quiseram enganar toda a gente… mas não conseguiram! Ainda não acabou… e estão a querer sair de fininho.

    O destino destas pessoas está traçado.

  4. Quando a ignorância e a religião viajam na mesma carruagem, uma jihadzinha é inevitável. Li o estudo acima apenas por curiosidade, sei tudo o que importa saber sobre o uso das máscaras. Sei, por exemplo, que as máscaras são um meio de proteção auxiliar, muito menos eficaz que a ausência de civismo, o problema é que este não se compra nas farmácias, grandes superfícies ou lojas chinesas. Sei que o entendimento pessoal do que seja um adequado comportamento cívico e sanitário, não me livra do incivismo dos outros e são a maioria. Sei que a minha máscara não tem efeitos como proteção própria, a sua eficácia, mesmo relativa, destina-se a a reduzir o risco de contágio daqueles que comigo interagem e que se esses também pensarem na minha segurança, a redução de risco é significativa, para os dois lados.
    Usar máscara é a coisa mais próxima que imagino ser a tortura, de cinco em cinco minutos tenho que me assoar, nunca usei máscara na rua, há ano e meio que circulo mais pelas faixas da rodovia que pelos passeios. Não o faço por mim, faço-o pelos outros. Sei que foi após o período de Natal e Ano Novo que se atingiram os máximos de contágio e mortalidade, se acreditasse em coincidências já tinha esquecido o facto, não acredito, não esqueci.
    Utilizei o termo jihadzinha acima, foi ironia, “teoria da conspiração” na nazi massificação das redes sociais servia muito bem como caracterização de grupelhos asociais que se julgam iluminados pelas luzes da ignorância e da religião.

  5. Máscaras cirúrgicas, eficientes ou não, devem ser descartadas a cada 2 horas pelo menos. Nos hospitais, isso tem um certo custo. Agora, imagine, o cidadão comum ter jogar fora a cada 2 horas um máscara e substituir por outra!!! No mês, seriam, aproximadamente, 5 máscaras/dia x 20 dias 100 máscaras por pessoa mensalmente! Lembrando que o público usa máscaras sem etiqueta, sem código de barras, sem nome de fabricante, sem endereço de fábrica, sem selo de autenticação, sem controle algum!! Elas podem estar sendo produzidas até de tecido de calcinhas, cuecas ou sutiãs usados e poucos perceberiam!

  6. De acordo com o vosso estatuto editorial “6. O ZAP não perfilha qualquer orientação de carácter partidário, religioso ou desportivo, rejeita todo o tipo de discriminação ou estereotipagem étnica ou sexual, e defende a igualdade no direito da sua expressão e divulgação.”

    Vou ter de fazer queixa á ERC?.
    É melhor responderem.

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