Marcha do Orgulho de Budapeste será um protesto contra as leis anti-LGBTQI, diz organização

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A marcha do Orgulho em Budapeste, que ocorrerá no sábado, será “uma celebração, mas também um protesto”, disseram os organizadores, enquanto a comunidade LGBTQI húngara se prepara para desafiar a escalada da campanha anti-homossexual do governo.

Johanna Majercsik, uma das organizadoras do mês do Orgulho em Budapeste, que culmina com a marcha, disse que conta com mais participantes do que os cerca de 20.000 que marcaram presença na última edição, há dois anos. “Há uma grande indignação na sociedade com o que está a acontecer”, indicou ao Guardian.

No início de julho, entrou em vigor no país uma lei que proíbe a representação de temas LGBTQI para crianças. Os ativistas defendem que, com uma eleição parlamentar na próxima primavera, o governo de extrema direita de Viktor Orbán procura fortalecer a sua base conservadora, com uma campanha anti-LGBTQI.

“Eles [governo, liderado pelo partido Fidesz] precisam de um novo grupo para odiar, e não há outro governo na Europa, nem mesmo na Polónia, que incite abertamente ao ódio contra as pessoas como este governo”, disse Máté Dániel Szabó, da União Húngara pelas Liberdades Civis.

Na quarta-feira, Orbán anunciou que será realizado um referendo sobre a lei anti-LGBTQI e pediu o apoio dos eleitores, depois de a Comissão Europeia ter lançado um processo de infração contra Budapeste.

Orbán listou cinco perguntas, questionando os húngaros, por exemplo, sobre se estes aceitariam que a escola “debatesse sexualidade com os seus filhos sem o seu consentimento”, se apoiariam “a promoção do tratamento de redesignação sexual para menores” ou a “apresentação irrestrita a menores de conteúdos mediáticos de natureza sexual que afetem o seu desenvolvimento”.

Apesar das repetidas alegações do governo de que a lei serve para proteger as crianças de conteúdo sexual, na verdade proíbe todas as representações e discussões de pessoas LGBTQI e temas para os jovens.

Um processo de fiscalização garante que os conteúdos com representação de pessoas LGBTQI não seja exibido na televisão durante o dia ou no início da noite. Diretores que permitem educação sexual de grupos não registados pelo governo podem ser multados, com a lei a impedir ainda as escolas de utilizar livros com personagens ou temas LGBTQI.

“Na literatura, falamos sobre sentimentos, emoções, relacionamentos e amor”, disse Andrea Sipos, professora de literatura húngara numa escola secundária na cidade de Miskolc. “Quero ensinar com base nas necessidades das crianças, não com base num currículo muito restrito”, sublinhou.

Segundo Andrea Sipos, “existem alguns professores que concordam com a lei, mas existem muitos professores que estão irritados. Contudo, a maioria deles está em silêncio, e é aí que entra a autocensura”.

  Taísa Pagno //

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