Roman Bonnefoy / Wikimedia

Aos 105 anos, o realizador Manoel de Oliveira inicia na quarta-feira, no Porto, a rodagem do filme “O velho do Restelo”, de acordo com a produtora O Som e a Fúria.
A rodagem decorrerá de 9 a 13 de abril e contará com a participação dos atores Luís Miguel Cintra, Ricardo Trepa, Diogo Dória e Mário Barroso. O argumento é assinado por Manoel de Oliveira.
O realizador português estava há vários meses a aguardar financiamento para avançar com este filme, só possível agora, segundo a produtora, com o “patrocínio do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que reconheceu o mérito cultural deste projeto”, e com apoio da ministra da Cultura e Comunicação de França, Aurélie Filippetti.
A produção contará ainda com apoio da autarquia portuense, através da Porto Film Commission, e da Universidade Católica do Porto.
A finalização de “O velho do Restelo” está prevista para agosto.
“Fazer este filme é como ganhar uma batalha”
Manoel de Oliveira, nascido no Porto em 1908, completou 105 anos no dia 11 de dezembro.
No ano passado, em entrevista à revista francesa Cahiers du Cinéma, Manoel de Oliveira admitia que lhe faltava financiamento: “Fazer este filme é como ganhar uma batalha: é difícil. A conjuntura económica trava e fragiliza a montagem financeira do filme”.
E deixava um lamento: “Eu penso que no país há uma grande indiferença pelo que já realizei. Tanto faz que o meu cinema exista ou não exista”.
Na entrevista, o realizador explicou que, com “O Velho do Restelo”, quer refletir novamente sobre a História de Portugal, em particular sobre “a Invencível Armada e o presente”. O filme é baseado em partes do livro “O Penitente”, de Teixeira de Pascoaes, que evoca as diferenças entre Cervantes e Camilo Castelo Branco.
No filme, Luís Miguel Cintra será Camões, Ricardo Trepa encarnará a personagem D. Quixote, Diogo Dória o escritor Teixeira de Pascoaes e Mário Barroso será Camilo Castelo Branco.
“Teremos Pascoaes e D. Quixote, cada um trajando à sua época, cada um sentado na sua extremidade de um banco de pedra. A eles irão juntar-se Camilo Castelo Branco e Camões”, lê-se na sinopse.
/Lusa