Há mais estrangeiros dispostos a trabalhar do que portugueses

Desde meados de 2018 que os estrangeiros residentes em Portugal estão a sustentar a evolução da população ativa (entre os 15 e os 65 anos) no país, contrariando o quadro de redução e envelhecimento que este grupo de profissionais enfrentou entre 2008 e 2016.

Segundo noticiou o Expresso, os dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal, na apresentação do Boletim Económico de Outubro, revelam que mais de 80% dos estrangeiros residentes em Portugal, em idade ativa, estavam disponíveis para trabalhar no final do primeiro semestre deste ano.

Um número que supera em quatro pontos percentuais a taxa de atividade – peso da população ativa sobre a população total em idade ativa – apurada entre a população portuguesa na mesma altura.

A justificar a maior disponibilidade para trabalhar identificada entre os residentes estrangeiros está, segundo o Banco de Portugal, a sua composição etária mais jovem e mais qualificada do que a população ativa portuguesa. Mais de 80% dos estrangeiros residentes em Portugal estão em idade ativa, contra apenas 60% dos portugueses.

Em matéria de qualificações, pese embora a evolução registada entre a população nacional, o nível médio de escolaridade dos estrangeiros continua a superar o dos portugueses.

Estrangeiros alavancam nível de qualificação

“Nos últimos anos, o nível médio de escolaridade da população têm vindo a aumentar significativamente, mas esse incremento tem sido maior entre a população de nacionalidade estrangeira”, conclui o Banco de Portugal.

Entre o primeiro semestre de 2011 e o primeiro semestre de 2019, o peso da população estrangeira entre os 25 e os 64 anos com ensino superior duplicou de 15% para 30%, enquanto entre os portugueses a evolução não foi além dos nove pontos percentuais, de 17% para 26%.

No mesmo período, a população com um nível escolaridade correspondente ao ensino básico reduziu em cerca de 20 pontos percentuais, tanto no caso dos residentes estrangeiros como dos portugueses, para 30% e 50%, respetivamente.

Apesar deste cenário, partindo de dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, o Expresso apurou que para o mesmo nível de qualificações em termos de escolaridade, os portugueses ganham em média mais do que os estrangeiros.

Os dados do INE sobre o rendimento salarial médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem, mostram que, em média, em 2018, os trabalhadores portugueses levavam para casa ao fim do mês 890 euros. Os trabalhadores estrangeiros 795 euros, menos 10,7%.

Recuando até 2011, ano em que se inicia a atual série do INE, os portugueses ficam sempre acima dos estrangeiros, embora o diferencial tenha vindo a diminuir (em 2011 atingia os 20%). A única exceção a esta regra são as empresas privadas onde, nas funções mais qualificadas, os estrangeiros ficam bem à frente dos portugueses em termos salariais.

Ao nível dos quadros superiores, por exemplo, em 2016 (últimos dados disponíveis) ganhavam, em média, 38% mais, auferindo mais do dobro no caso dos profissionais altamente qualificados.

87% dos estrangeiros residentes têm trabalho

Os dados do Banco de Portugal mostram que, desde meados de 2017, o efeito demográfico da população estrangeira tem tido um impacto positivo no país, conduzindo a um rejuvenescimento da população ativa e uma maior qualificação. Em junho de 2019 residiam em Portugal 198 mil estrangeiros em idade ativa (3% da população neste escalão etário). A esmagadora maioria, 158 mil (87%) estavam empregados.

“A população estrangeira poderá potenciar a dinâmica do mercado de trabalho nos anos vindouros”, esclareceu o Banco de Portugal, reconhecendo que “apesar dos fluxos migratórios evoluírem muito em linha com a situação cíclica da economia, outros fatores como os incentivos fiscais, a perceção de Portugal como um país seguro e o ‘Brexit’ estarão a contribuir para o aumento da imigração”.

Apesar disso, os indicadores de atratividade de talento compilados recentemente pela OCDE, colocam Portugal numa posição intermédia, sugerindo que, num contexto de integração crescente de mercados a nível global, o país terá de reforçar as condições internas de competitividade se quiser melhorar o seu desempenho na atração e retenção de jovens em idade ativa.

ZAP // //

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