General dos EUA temeu que Trump iniciasse guerra nuclear com a China – e chegou a ligar aos chineses

Chief National Guard Bureau / Flickr

Mark Milley, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA

As revelações aparecem em Peril, o novo livro de Bob Woodward e Robert Costa sobre os bastidores da Casa Branca. Trump já respondeu.

O General Mark Milley, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, telefonou duas vezes ao seu homólogo chinês para o tranquilizar sobre um possível ataque surpresa dos EUA contra a China.

As revelações fazer parte do novo livro de Bob Woodward sobre a administração Trump chamado Peril, que foi escrito em colaboração com Robert Costa, jornalista do The Washington Post. Este é o terceiro livro de Woodward sobre a Casa Branca, depois de Medo: Trump na Casa Branca e Rage, e vai ser publicado dia 21 de Setembro.

A primeira chamada teve lugar a 30 de Outubro de 2020, quatro dias antes das presidenciais e foi feita depois de Milley ter sido informado pela inteligência americana de que os chineses acreditavam que os Estados Unidos se estavam a preparar para atacar a China. Os autores escrevem que os chineses temiam um ataque devido aos exercícios militares no Mar do Sul da China e na retórica agressiva de Trump.

“General Li, quero assegurá-lo que o governo americano está estável e que tudo vai ficar bem. Não vamos atacar ou conduzir quaisquer operações cinéticas contra vocês”, prometeu Milley. O livro revela que Milley chegou a dizer que avisaria as autoridades chinesas caso os EUA atacassem, dizendo que “lhe ligaria antecipadamente“.

O General chinês acreditou em Milley, avança o livro. A segunda chamada teve lugar a 8 de Janeiro, dois dias depois da insurreição de apoiantes de Trump no Capitólio, e serviu para acalmar os medos chineses sobre o que se tinha passado. “Estamos 100% estáveis. Está tudo bem, mas a democracia pode ser desleixada às vezes“, garantiu.

Li continuou de pé atrás e o livro detalha que Milley não informou Donald Trump desta conversa. O General acreditava que Trump estava em declínio mental desde a eleição e teve conversas com Nancy Pelosi, Presidente da Câmara dos Representantes, sobre os seus receios de que o chefe de Estado não tivesse condições de ocupar a Casa Branca.

Ele é maluco. Você sabe que ele é maluco”, disse Pelosi, segundo uma transcrição do telefonema. “Concordo consigo em tudo o que disse”, terá respondido o militar. Pelosi chegou mesmo a questionar se há precauções que evitem que um Presidente instável “ordene um ataque nuclear”. Milley garantiu que “há muitas verificações no sistema”.

No mesmo dia, Mark Miller chamou os comandantes para uma reunião onde lhes lembrou que fazia parte da ordem de comando e que teria de ser consultado mesmo que Trump ordenasse um ataque nuclear. O livro relata mesmo que Miller olhou cada um nos olhos e que considerou as respostas um juramento.

Milley não era o único nos corredores da administração que temia as acções de Donald Trump. A directora da CIA, Gina Haspel, terá chegado a dizer ao chefe do Estado-Maior das Forças Armadas que os EUA estavam “a caminho de um golpe de estado de direita“.

Trump responde a Milley

Muitos apoiantes de Trump estão a encarar as acções de Milley como um acto de traição e exigem que Joe Biden o afaste do cargo, incluindo Marco Rubio, Senador Republicano da Flórida, que escreveu uma carta à Casa Branca a pedir a sua demissão. Biden já respondeu, dizendo que tem “grande confiança no General Milley“.

O próprio Donald Trump, em entrevista à estação Newsmax, acusou Milley de traição. “Eu nunca pensei em atacar a China”, disse o ex-Presidente.

O livro aborda também as dúvidas do vice de Trump, Mike Pence, na altura de confirmar Biden como novo Presidente. O vice-presidente dos EUA lidera também o Senado e Trump queria que Pence não certificasse a vitória de Biden na eleição devido às acusações infundadas de fraude eleitoral.

Isto já se sabia, mas a novidade é que, pelos vistos, Pence estava dividido entre a sua lealdade a Trump e o seu dever e pediu conselhos a Dan Quayle, vice de George Bush que teve de certificar a vitória de Bill Clinton, sobre como devia proceder.

“Mike, não tens nenhuma flexibilidade. Nenhuma. Zero. Esquece isso”, respondeu Quayle a Pence quando este o questionou sobre se podia aceder ao pedido de Trump devido aos processos de fraude que ainda estava abertos.

Pence acabou por confirmar a vitória de Biden e disse a Trump que não podia fazer nada, já que o seu papel era só “abrir os envelopes”. “Já não quero ser teu amigo se não fizeres isto. Traíste-nos. Eu criei-te. Tu não eras nada“, terá respondido o então Presidente. Pence acabou por se tornar um dos alvos dos apoiantes de Trump, tendo a multidão que invadiu o Capitólio gritado a apelar o seu enforcamento.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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16 COMENTÁRIOS

  1. As coisas que os democratas (ou apoiantes de.) fazem e saem completamente ilesos.
    Desde os vídeos do filho de Biden, emails do diretor do FBI, emails da Hillary, pagar fiança a assassinos BLM, Deixar bilhões em armamento no Afeganistão, Idolatrar criminosos de rua, Tentar forçar vacinas na população..

    São todo o que acusam os republicanos de ser

    E povo manso para umas coisas e ressabiado para outras

    • Só faltou ai dizeres que a Terra é plana. De resto plenamente de acordo. Trump é complemente são e todas as suas ações, dotadas de uma lógica inatacável, são em prol do povo americano e da humanidade. Faz lembrar o Bruno Carvalho do Sporting, tal sanidade. E até foram os democratas que começaram a guerra no Afeganistão e que estiveram na presidência dos EUA durante toda a guerra. Além disso o covid é um complot dos media e as vacinas não funcionam. Quer dizer, funcionam, mas apenas para matar toda a gente e reduzir a população mundial a mando do grupo Bildeberg e do Bill Gates, que quer faturar com a venda de caixões com o logótipo do Windows. Só em Portugal já morreram 20 milhões de pessoas por causa da vacina, mas os media nada dizem. Jornalixo. Abraço irmão e força nisso.

    • Não esquece a armas de destruição maciça, invenção e outra mentira dos Democratas que injectam líquidos robotizantes, sob pretexto de serem vacinas

      • Mentiras sem qualquer evidência ou vergonha na ONU, à frente de todo o mundo e onde enganaram, além do povo americano, os seus aliados – e com o resultado que hoje se conhece!
        Foi precisamente com essas atitudes que depois surgiram personagens como o Trump!…

        • Agora levado a sério, não eram Democratas, mas Republicanos e Tories ingleses.
          Os Republicanos estão a deriva e já não conseguem distinguir a realidade e a verdade. Quando não gostam de algo, iniciam o sonho

          • Claro, eu percebi e lembrei-me logo do tóto Bush e do Collin Powell na ONU a mostrar “desenhos de criança” como sendo as supostas provas das armas de destruição maciça do Saddam… o resultado é o que todos conhecemos e foi isso que nos levou até personagens como o Trump e companhia!!

    • Tudo o que o leitor Miguel disse são factos, e com recibos. Só não vê, quem não quer ou não sabe. É realmente fascinante ver pessoas questionar a sanidade mental de Trump enquanto um demente governa na Casa Branca. E as evidências de demência eram já muito evidentes durante a campanha, e cada vez está pior. Acho que o mundo e os media só vão reconhecer a demência de Biden quando ele, à frente das câmaras, arrear as calças, deixar uma prenda no chão e começar a comê-la. Até lá, vão continuar a encobrir, mas é impossível controlar. A bolha tem de rebentar mais cedo ou mais tarde.
      Quanto ao general, muito simples: pura e flagrante traição à Nação. Não há outra interpretação. Cadeia.

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