Lech Poznań 2 – 4 Benfica | Darwin e a teoria da vitória

Jakub Kaczmarczyk / EPA

Pela primeira vez na fase de grupos da Liga Europa, desde que a prova foi criada na época 2009/10, o Benfica iniciou da melhor forma o trajecto na competição, venceu em solo polaco o Lech Poznań por 4-2 e somou os primeiros três pontos no Grupo D, seguindo a teoria de Darwin Núñez, autor de três dos quatro “tentos” da equipa.

O outro foi apontado por Pizzi na conversão de uma grande penalidade. No outro duelo deste agrupamento, o Rangers levou a melhor na visita ao reduto do Standard Liège (0-2). Daqui a uma semana, os “encarnados” irão defrontar a formação belga.

O jogo explicado em números

  • Jorge Jesus procedeu a duas mudanças no “onze” relativamente à equipa que iniciou o embate em Vila do Conde: Gilberto foi, sem surpresa, o substituto do lesionado André Almeida no lado direito da defesa e Rafa foi para o banco e entrou Taarabt, que se tinha lesionado na primeira jornada do campeonato frente ao Famalicão. Com isto, Pizzi foi “deslocado” para o corredor direito do ataque e o marroquino assumiu o posto de número “8”.
  • Os primeiros três remates do encontro pertenceram ao Lech, todos por intermédio de Moder. Porém, a resposta das “águias” foi letal. Contra-ataque que começou numa recuperação da posse e que foi posteriormente conduzido por Grimaldo, que desmarcou Luca Waldschmidt, o alemão cruzou e Dejewski, com uma das mãos, travou a bola. Grande penalidade assinalada e concretizada por Pizzi aos oito minutos. O golo foi dedicado a André Almeida.
  • Em vantagem, os visitantes começaram a praticar um futebol dinâmico, fazendo basculações do centro de jogo sempre com muita acutilância, no entanto, provaram do próprio veneno. Ao minuto 15, um contragolpe polaco foi “mortífero”. Czerwiński deixou Grimaldo pelo caminho, entrou na área e assistiu Ishak que só teve de encostar, empatando o “placard”. Foi o quarto remate dos anfitriões, sendo que 50% foram enquadrados à baliza de Vlachodimos.
  • Os ataques do Lech Poznan eram perigosos. Ao minuto 23, por exemplo Morder, sem marcação na zona do segundo poste, atirou e acertou no poste. A equipa de Jorge Jesus tinha muitas dificuldades em travas as rápidas saídas para o ataque do emblema da casa, por outro lado, sempre que conseguia desenvencilhar-se da pressão contrária, conseguia gizar lances perigosos na área contrária, principalmente através dos lampejos de Taarabt (22’ e 28’).
  • A três minutos do intervalo, Gilberto, que estava a ter imensas dificuldades em termos defensivos, subiu no terreno, cruzou com precisão e Darwin Núñez, no “quinto andar”, cabeceou de forma pujante e voltou a deixar o Benfica na liderança do marcador. Gabriel na recuperação e Waldschmidt na forma como se desmarcou e passou o esférico a Gilberto também foram importantes na construção deste lance. Após cinco assistências nas primeiras quatro jornadas da Liga NOS, o uruguaio estreava-se a marcar em competições oficiais de águia ao peito.
  • Intervalo Não foi fácil a primeira metade do duelo em Poznań para a formação lisboeta. O golo de Pizzi abriu a contagem, mas a vantagem durou apenas sete minutos. O Lech assumiu, depois, o comando das operações e foi amealhando lances de perigo e apenas a espaços havia sinais de vida do Benfica, que não conseguia defender-se da melhor forma dos ataques à profundidade, principalmente no corredor direito, explorando as costas de Grimaldo – foi assim que nasceu o tento do empate apontado por Ishak – e das acções de Kaminski perante Gilberto. Porém, num raide bem construído, Darwin marcou e deixou a equipa lusa novamente na frente do marcador. Pizzi foi o melhor jogador nesta fase, com um GoalPoint Rating de 6.0. O capitão fez o primeiro golo, no único remate realizado, realizou dois passes valiosos certos – acções feitas a menos de 25 metros da baliza –, teve uma eficácia de 89% no capítulo dos passes – 17 certos e dois falhados -, conseguiu três passes progressivos certos e duas acções com a bola dentro da área contrária. Em termos defensivos, amiúde recuou para ajudar Gilberto e contabilizou dois desarmes e uma intercepção. No entanto, acabou por ser substituído por Rafa ao intervalo. A braçadeira de capitão passou para Nicolás Otamendi.
  • Aos 48 minutos, a dupla Kamiński e Ishak voltou a fazer estragos. O primeiro rematou, Vlachodimos defendeu de forma incompleta e na recarga o número 9 cabeceou de forma certeira e carimbou o 2-2. Este foi o 11º remate dos da casa, face aos sete dos portugueses. A falta de pressão do Benfica ao portador da bola adversário voltava a prejudicar os ensejos da equipa.
  • Com calma, critério e objectividade. Foi assim que nasceu o terceiro golo benfiquista. A bola circulou pelos três corredores, até que Everton, em zona central, assistiu Darwin Núnez, o ponta-de-lança tirou Crnomarkoviv do caminho e, com um remate bem medido, bateu Filip Bednarek, bisou e carimbou o 2-3 aos 60 minutos.
  • Já com as entradas de Weigl e Pedrinho, que substituíram Taarabt e Waldschmidt, Everton desperdiçou uma boa ocasião para dilatar a vantagem e, instantes volvidos, Puchacz interceptou um remate de Rafa, que já se encontrava no interior da área do Lech. Nesta fase, os visitantes já tinham mais um remate do que o Lech Poznan – 13 contra 12 -, seis cantos para três, 56% da posse de bola e menos passes trocados do que os polacos: 197/240.
  • Morder, que só a sua conta tinha sete remates, visou o alvo e valeu ao Benfica o voo de Vlachodimos a negar mais um golo polaco a cerca de 15 minutos dos 90. O Lech acreditava e voltou a assustar aos 76 e 77: Katcharava primeiro rematou ao lado e depois obrigou o guardião grego a mostrar mais reflexos. Demasiadas facilidades do conjunto da Polónia para chegar a zonas de finalização, ora através de bolas nas costas, ora com transições rápidas, deixando a nu a falta de pernas de todo o sector mais recuado em defender as costas.
  • Num fogacho aos 81 minutos, Everton organizou, Darwin assistiu e Pedrinho rematou colocado, fazendo com que Bednarek defendesse para canto. O Benfica respirava mais uns segundos e conseguia, por breves instantes, sacudir a pressão contrária. Dois minutos volvidos, “Cebolinha”, já em esforço, voltou a testar a atenção do guarda-redes adversário. O jogo estava completamente partido e tudo poderia acontecer…
  • Já em período de descontos, uma investida onde a bola passou por Rafa, Darwin, Gabriel, Pedrinho, esta voltou a chegar a Rafa, que descaído sobre o lado direito, cruzou a regra e esquadro, oferecendo o 2-4 a Darwin, que fez um “hat-trick”. Há 28 anos que um avançado do Benfica não apontava três golos num encontro fora de portas para as competições europeias. O último tinha sido Pacheco.
  • Rafa voltou a meter a “sexta” velocidade, mas o remate de Pedrinho foi travado Marchwiński. Pouco depois, terminava a partida, o Benfica venceu e entrou com o pé direito nesta edição da Liga Europa, no entanto, o “score” foi bastante melhor do que a exibição.  Ao contrário do que ocorreu nas partidas anteriores, a equipa de JJ foi pouco pressionante, teve pouca imaginação a circular o esférico e expôs em demasia o eixo defensivo. Valeu, no entanto, a mira calibrada de Darwin Núñez.
  • Mais de dois anos depois, o Benfica conseguiu, com muito sofrimento à mistura, vencer um jogo fora de casa para as provas europeias, ou seja, ao oitavo duelo nas competições da UEFA somou um triunfo, mas continua a sofrer golos fora da Luz há 17 encontros de rajada na Europa.

O melhor em campo GoalPoint

Um, dois e três, a teoria que Darwin fez. Endiabrado, o internacional uruguaio esteve em modo “on fire” e foi determinante no triunfo dos “encarnados”.

À habitual rapidez que imprime em quase todas as suas acções, hoje encontrou as coordenadas e o caminho do golo. Foram três, os primeiros dois de enorme qualidade técnica e no último demonstrou faro para se posicionar no lugar certo, no momento exacto.

Esmiuçando os dados do camisola 9, registam-se seis remates, quatro dos quais enquadrados, e dois golos, 14 acções com a bola no interior da área adversária – máximo no encontro -, três passes para finalização, 100% de eficácia nos quatro dribles que tentou e teve um GoalPoint Rating de 9.2.

Jogadores em foco

  • Everton 7.9 – Quando conseguir ser mais constante nas suas investidas, será ainda mais perigoso. Sempre que cola a bola ao pé, é quase impossível perdê-la, mas tem de melhorar em termos defensivos. Principalmente na etapa final, foi um bom aliado de Darwin – assistiu para o 3-2 -, foi quase brilhante a driblar, falhando um em nove tentativas. Já é o máximo driblador desta Liga Europa.
  • Pedro Tiba 7.3 – O principal dinamizador dos ataques polacos, grande exibição do médio português. Intenso e imaginativo, conseguiu quase sempre fugir à marcação e foi criando perigo. Dos seus números, realçamos os três remates feitos, quatro passes para finalização, três passes valiosos, dois cruzamentos, quatro acções na área benfiquista e as oito vezes em que recuperou a posse de bola.
  • Vlachodimos 6.7 – “São” Vlachodimos. Quando a equipa mais precisa, lá está ele. O grego é uma espécie de seguro de vida para o Benfica, não teve culpa nos dois golos sofridos e ainda foi evitando outros tantos, ao todo foram sete intervenções, três em tiros feitos já dentro da área.
  • Taarabt 6.3 – Recuperou de lesão e juntou-se a Gabriel na zona central do meio-campo. Actuou 59 minutos e foi dos melhores jogadores, com dois passes para finalização, quatro passes valiosos, 82% de acerto no global das entregas – seis falhados em 34 feitos -, apenas um drible sem êxito em três realizados e nove recuperações de posse. A rever, as 12 vezes em que perdeu a bola.
  • Ishak 6.2 – Um perigo à solta, bisou e foi dando muitas dores de cabeça a Otamendi, Vertonghen e companhia. Autor de três remates, marcou dois golos – expected goals (xG) de 1,2 – e teve ainda cinco acções dentro da área dos “encarnados”.
  • Gilberto 5.0 – Ofensivamente atacou pela certa e foi crucial quando cruzou na perfeição para a cabeçada de Darwin na jogada do 1-2 e ainda teve três passes valiosos. A defender é que deixou as lacunas já detectadas em evidência, posicionou-se quase sempre de forma incorrecta, foi pouco incisivo a defender as costas e demonstrou falta de velocidade quando teve de enfrentar os atacantes do Lech, consentiu dois dribles, sete perdas do esférico e só amealhou duas acções defensivas.

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