Investigadora alemã critica proibição de falar português nas escolas do Luxemburgo

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Uma investigadora da Universidade do Luxemburgo especializada em multilinguismo afirmou à Lusa que a decisão de proibir alunos portugueses de falar a língua materna nas escolas “é errada”, defendendo o reforço da formação dos professores.

Adelheid Hu, investigadora alemã na Universidade do Luxemburgo, comparou o caso de um director de turma num liceu do Grão-Ducado que proibiu os alunos de falar português nas aulas com a situação vivida pelos imigrantes turcos na Alemanha, citando estudos que condenam este tipo de medida.

A investigadora comentou o tema na sequência da notícia, divulgada este domingo, de que há crianças castigadas nas escolas e creches do Luxemburgo por falar português.

“Tivemos a mesma situação com os imigrantes turcos na Alemanha, e as investigações que foram feitas indicam que não se deve proibir os alunos de falar a língua materna nas escolas”, disse à Lusa a investigadora alemã, sublinhando que “os alunos utilizam muitas vezes a língua-mãe para tentarem compreender aquilo que ouvem nas aulas, e não apenas para conversarem uns com os outros”.

Ao proibir os alunos de falar português, “não é só a língua que está em causa, a identidade cultural das crianças também é ameaçada“, defendeu.

DR sverigesradio.se

Adelheid Hu, investigadora alemã na Universidade do Luxemburgo

Adelheid Hu, investigadora alemã na Universidade do Luxemburgo

A investigadora, que participou este mês numa conferência sobre o 30° aniversário dos cursos integrados de Português no ensino luxemburguês, recordou que o domínio da língua materna “facilita a aprendizagem de línguas estrangeiras”.

Citando estudos na área, Adelheid Hu defendeu que é preciso dar mais formação aos professores para que estes possam “gerir a diversidade” linguística nas aulas.

“Eu compreendo que é difícil para os professores, mas é preciso encontrar métodos para tirar partido da diversidade linguística e promover a aprendizagem através das línguas”, disse a investigadora, cuja área de investigação inclui também a comunicação intercultural.

Polémica noutros países

A decisão de proibir os imigrantes de falar a língua materna nas escolas já provocou polémica noutros países.

Há um ano, a directora de uma escola no Texas, nos Estados Unidos, foi demitida pela direção do estabelecimento escolar depois de ter proibido os alunos, a maioria de origem hispânica, de falarem espanhol nas aulas.

Na Bélgica, país vizinho do Luxemburgo, um estudo conjunto da Universidade de Lovaina, Gand e Antuérpia concluiu que dois terços dos imigrantes são impedidos de falar a língua materna nas escolas da região flamenga do país, uma percentagem que sobe para os 80% no caso dos alunos de origem turca e marroquina.

Para os investigadores do estudo, publicado em 2012 e citado pelo jornal De Staandard, os resultados indicam que a proibição estigmatiza de forma diferente os imigrantes, sendo os alunos turcos e árabes mais discriminados do que estudantes de outras nacionalidades.

Portugueses no Luxemburgo

No Luxemburgo há cerca de 100 mil portugueses, que representam cerca de um quinto da população no país.

Segundo dados do Ministério da Educação do Luxemburgo, o português é a segunda língua materna mais falada nas escolas do país, com 28,9% de falantes, a seguir ao luxemburguês, com 39,8%, mas à frente dos outros dois idiomas oficiais do Grão-Ducado, francês (11,9% de falantes) e alemão (2%).

Os alunos portugueses representam mais de vinte por cento dos estudantes na maioria dos níveis de ensino no país, uma percentagem que no ensino secundário técnico ronda os 28 por cento, segundo dados do Ministério da Educação de 2012/2013.

/Lusa

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