“Hormona da fome” pode influenciar memória e fazer com que se coma mais

Bruce Tuten / Flickr

Um novo estudo, liderado por investigadores da University of Southern California, sugere que as hormonas reguladoras da fome produzidas pelo estômago também podem influenciar a memória e a função cognitiva.

Em 2018, a equipa de especialistas da USC publicou um estudo na Nature Communications onde foram investigadas as repercussões cognitivas da comunicação entre o intestino e o cérebro. A pesquisa centrou-se no nervo vago – um nervo longo que medeia a comunicação entre o sistema digestivo e o cérebro.

A perturbação do nervo vago prejudicou a capacidade de um animal regular os seus comportamentos alimentares, mas o estudo também descobriu deficiências cognitivas inesperadas, descobrindo que animais com esta via de comunicação cortada, exibiam deficiências de memória operacional.

Seguindo estas conclusões, o novo estudo publicado na Current Biology em setembro, focou-se agora numa hormona chamada grelina. A grelina é também conhecida como a “hormona da fome” devido à sua função de regular os comportamentos alimentares. A hipótese que sustenta esta nova pesquisa é que a grelina pode estar a influenciar funções cognitivas mais amplas, para além dos comportamentos alimentares.

Quando o estômago fica vazio, intensifica a secreção da grelina, a hormona que atua no cérebro dando a sensação de fome. Quanto mais elevada for a sua produção, maior será a sensação de fome. Quando nos alimentamos, a secreção da grelina diminui e a secreção de leptina aumenta gerando saciedade.

Scott Kanoski, autor principal do novo estudo, explicou que o aumento de grelina nos intestinos dos ratos fez com que os animais comessem com mais frequência, sendo que desta forma os ratos ganharam peso.

Segundo Kanoski, “o aumento da frequência alimentar está relacionado com o comprometimento da memória. A memória da última vez que se comeu vai influenciar a próxima vez que se vai fazer uma refeição. Isso fez com que os ratos que participaram no estudo comessem mais vezes”.

Esse comprometimento da memória fez com que os animais se esquecessem rapidamente que tinham comido. “Os animais eram prejudicados por um tipo de memória, chamada memória episódica”, explica Elizabeth Davis, co-autora estudo.

“Este é o tipo de memória que o ajuda a lembrar de coisas básicas como o primeiro dia de aula, ou o que se comeu ao pequeno-almoço”, remata a especialista, justificando o porquê assim a relação de comunicação entre o intestino e o cérebro – e que nos pode levar a comer mais vezes.

Os especialistas adiantam ainda que esta relação entre os dois órgãos pode ser o principio de vários estudos que podem ajudar a perceber melhor a influencia que o intestino tem na cabeça, diz o New Atlas.

ZAP //

 

PARTILHAR

RESPONDER

O envelhecimento celular em humanos foi parcialmente revertido (com o uso de oxigénio)

Investigadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, descobriram uma forma de reverter o processo de envelhecimento celular e podem ter feito um avanço na procura pela juventude eterna. O novo estudo publicado na revista Aging …

Porto 0-0 Man City | Pragmatismo portista garante “oitavos”

O FC Porto está nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Os “azuis-e-brancos” precisavam apenas de um empate, ou que o Olympiacos não vencesse em França, em casa do Marselha, e ambos os pressupostos aconteceram – …

O céu tingiu-se de roxo na Suécia (e a culpa era de uma plantação de tomates)

O céu ficou misteriosamente tingido de roxo em Trelleborg, a cidade mais a sul da Suécia, por causa da luz vinda de uma plantação de tomate enuma cidade próxima. Há algumas semanas, os moradores de Trelleborg …

Maurícias estão a abater um morcego ameaçado de extinção por interesses económicos

O morcego das Maurícias, em perigo de extinção, é mais uma vez o centro de um polémico abate nas mãos do Governo, para alarme das organizações de conservação da vida selvagem. Sob pressão de agricultores e …

Procurador-geral dos EUA: não há provas de fraude eleitoral generalizada

O procurador-geral dos Estados Unidos da América, William Barr, reconheceu hoje que não houve fraude em dimensão suficiente para invalidar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais norte-americanas. "Nesta altura, não vimos fraude a …

Parque de esculturas subaquático vai ser inaugurado em Miami

Miami vai servir de casa para um novo parque de esculturas subaquático como nunca viu. O ReefLine é projetado para servir como um recife artificial e vai estar disponível a receber visitantes em dezembro de …

Da "política do filho único" aos incentivos à natalidade: como a China tem mudado a sua estratégia populacional

A China está a planear incluir novas medidas para estimular a taxa de natalidade do país e lidar com o rápido envelhecimento da população. A estratégia passa pelo “plano de cinco anos” que deverá estar …

Vacinação será “grande prioridade” de presidência portuguesa da UE

O primeiro-ministro português, António Costa, referiu hoje que a vacinação contra a covid-19 deverá ser uma das “grandes prioridades” da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), após um encontro com o presidente do …

No Cambodja, os aldeões usam "espantalhos mágicos" para afastar a covid-19

Os aldeões do Cambodja têm evitado a pandemia de covid-19 sem máscaras nem distanciamento social, mas sim com "espantalhos mágicos" que espantam o vírus mortal. Os dois espantalhos de Ek Chan, um aldeão de 64 anos, …

O Arecibo desabou. É o fim de uma era à procura de vida extraterrestre

O Observatório de Arecibo, em Porto Rico, morreu. Três semanas depois de um dos principais cabos de sustentação da sua cúpula ter desabado, danificado irremediavelmente o radiotelescópio, o icónico caçador de vida extraterrestre antecipou-se à …