Para os hackers norte-coreanos, roubar criptomoedas é fácil. Difícil é pôr as mãos no dinheiro

KCNA / EPA

Os especialistas estimam que até 15% da receita da Coreia do Norte dependa de atividades criminosas, sendo que uma parte significativa é impulsionada por ataques informáticos.

Do tráfico de droga à falsificação de dinheiro: a dinastia de Kim Jong-un amealhou dinheiro através de vários esquemas criminosos. Na última década, Pyongyang voltou-se para o crime cibernético, com equipas de piratas informáticos a conduzir roubos de milhares de milhões de dólares contra bancos e bolsas de criptomoedas.

No entanto, há uma grande diferença entre hackear uma entidade e conseguir colocar as mãos no dinheiro. “Eu diria que a lavagem é mais sofisticada do que os próprios hacks“, admitiu Christopher Janczewski, especialista em criptomoedas, ao Technology Review.

Para o fazer, é necessário mover a criptomoeda roubada, lavá-la para ser impossível rastreá-la e trocá-la por dólares, euros ou yuans, moedas que podem comprar bens de luxo e necessidades que nem as bitcoins são capazes de pagar.

As táticas de Lazarus, uma equipa de hackers norte-coreana, estão em constante evolução. Assim que assume o controlo do dinheiro, o grupo tenta encobrir e despistar os investigadores, com um conjunto de técnicas que, normalmente, envolvem a movimentação de grandes montantes para carteiras e moedas diferentes.

A mais recente tática, conhecida como peel chain, baseia-se na movimentação de dinheiro em transações rápidas e automatizadas de uma carteira bitcoin para novos endereços através de centenas – ou até milhares – de transações que escondem a origem do dinheiro.

Uma outra abordagem, chamada chain hopping, move o dinheiro através de diferentes criptomoedas e blockchains de modo a retirá-lo da bitcoin para outras moedas mais privadas.

No fundo, a operação deste grupo de piratas informáticos envolve a criação de centenas de contas e identidades falsas, a um nível de sofisticação que destaca a importância deste tipo de operações para Pyongyang.

É verdade que roubar criptomoedas está longe de ser o crime perfeito, mas continua a resultar no caso particular da Coreia do Norte. Contudo, não há como esconder o facto de a polícia e os reguladores estarem cada vez mais capacitados para lidar com este crime e de a soma dos anos de experiência os dotar de ferramentas importantes na investigação deste tipo de esquemas.

Além disso, há um nível cada vez maior de cooperação com as bolsas, que enfrentam pressões do Governo e lutam por maior legitimidade. Hoje, as ferramentas de vigilância da blockchain são poderosas e cada vez mais difundidas, uma prova de que a criptomoeda não é tão anónima quanto o mito popular apregoava.

Ainda assim, o Estado tem bastante poder, mesmo neste mundo cypherpunk.

Liliana Malainho LM, ZAP //

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