Há uma erupção à espera de acontecer no Alasca. Já sabemos porque o vulcão ainda dorme

O Westdahl Peak, estratovulcão localizado no estado norte americano do Alasca, sofreu várias erupções no início da década de noventa. As previsões indicavam 2010 como o ano da próxima erupção. Contudo, 12 anos volvidos, o vulcão continua adormecido.

Segundo o Science Alert, a explicação está no gelo que cobre o cone vulcânico.

Uma das áreas que a Vulcanologia trata é exatamente a previsão de erupções vulcânicas. Estes prognósticos são cruciais não só para assegurar a segurança das pessoas que vivem nas imediações do cone vulcânico, mas também para mitigar problemas na aviação.

“A previsão vulcânica envolve muitas variáveis, incluindo a profundidade e o tamanho da câmara magmática do vulcão, a velocidade com que magma preenche essa câmara e a resistência das rochas desse mesmo reservatório”, afirma a geóloga Lilian Lucas
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Apesar de o vulcão se elevar a uma altura de 1,654 metros, possui uma câmara magmática com 7.2 quilómetros de profundidade
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Uma característica que distingue este vulcão de outros, é que o Westdahl Peak possui uma camada de gelo com, aproximadamente, um quilometro de espessura.

“Os nossos cálculos indicam que a presença de uma camada de gelo com 1 a 3 quilómetros de espessura aumenta o tempo médio de repouso de um vulcão“, escreveram Lilian Lucas e os seus pares no artigo publicado no site Frontiers in Earth Science.

Os cientistas da Universidade do Illinois descobriram que existe uma relação direta entre a espessura da camada de gelo e as mudanças que são necessárias no interior do vulcão para que este quebre a rocha envolvente e, consequentemente, entre em erupção.

Outro fator importante é o ritmo da produção de magma – o fluxo de magma.

Tendo em consideração o tamanho da câmara magmática, a geometria do vulcão e o fluxo de magma, os cientistas calcularam que a camada de gelo que o Westdahl Peak possui lhe confere mais 7 anos de inatividade em comparação com outros sistemas vulcânicos onde não se verifique a presença de gelo.

“Estes aumentos no tempo podem parecer insignificantes numa escala geológica, mas são muito significativos numa escala de tempo humana”, diz a também geóloga Patricia Gregg.

“Futuramente, será importante considerar a cobertura de gelo nas previsões”.

Contudo, os cientistas alertam que há mais motivos que explicam a inatividade deste vulcão no Alasca.

O estudo, publicado na Frontiers em Abril, considerou um fluxo de magma constante, algo que não se verifica em todos os vulcões, nomeadamente naqueles que estão adormecidos há muito tempo.

Mais, os cientistas desconhecem quão perto está o sistema de falhar, dado que “a informação geodésica mais recente ainda não foi investigada para atualizar as estimativas do fluxo de magma”.

“Se o fluxo para o reservatório de magma de Westdahl diminuiu nos últimos anos, enquanto o sistema está próximo de falhar, a sazonalidade pode desempenhar um papel maior do que seria espectável”, acrescentam os cientistas da Universidade do Illinois.

Os investigadores explicam que a forma e a profundidade de um vulcão são fatores chave no atraso na erupção.

Ainda assim, quando um sistema vulcânico se encontra perto da rotura o fluxo de magma é diminuto.

Por este motivo, uma alteração sazonal na camada de gelo que cobre o vulcão pode ser o suficiente para despoletar a explosão.

Assim, o geólogo Yan Zhan adverte para a importância de ter em conta variáveis como as mudanças climáticas e o derretimento de gelo glacial podem impactar o Westdahl Peak e outros vulcões.

  Francisco Machado Campos, ZAP //

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