Governo espanhol avança com “plano de choque” para reduzir tarifas de eletricidade

partyofeuropeansocialists / Flickr

Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol

Ministros do Governo de Sanchéz (PSOE) afirmam que o conjunto de medidas apresentadas conseguirão reduzir a fatura da eletricidade para os consumidores em 12% e reiteram a promessa feita de que o ano de 2021 deverá fechar com preços semelhantes ao de 2018.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que o Governo vai aprovar esta terça-feira um conjunto de medidas para reduzir as tarifas de eletricidade para os consumidores, incluindo baixar os impostos. Em entrevista à televisão pública TVE, Sánchez adiantou que o Conselho de Ministros vai aprovar a redução do imposto especial sobre a eletricidade, de 5,1% para 0,5%.

Ainda a nível fiscal, o executivo do PSOE prolongará até ao final do ano a suspensão do imposto de 7% sobre a comercialização da produção de eletricidade, bem como a redução do IVA de 21% para 10%. Em concreto, estas duas últimas medidas representam, segundo Sánchez, “um esforço de perda de receitas muito importante para o Estado”, que este ano ascendeu a 1.400 milhões de euros.



O preço médio da eletricidade no mercado grossista atingiu o seu máximo histórico segunda-feira com 156,16 euros por megawatt hora e está fixado para terça-feira em 153,43 euros, o que representa um decréscimo de 0,5%.

Face à subida do preço da eletricidade nas últimas semanas, o Presidente do Governo sublinhou a necessidade de “um esforço de todos” e por isso tem defendido um travão aos lucros das empresas de eletricidade.

Na entrevista, o chefe de Governo espanhol referiu que os benefícios extraordinários das empresas de energia devem ser “redirecionados para os consumidores“. “Não é razoável que tenham esses benefícios extraordinários derivados do aumento do preço, no caso do gás, aqui todos temos que ser solidários”, insistiu.

Questionado sobre quanto as concessionárias de energia elétrica deixarão de receber com esta medida, Sánchez não deu nenhum valor aproximado, mas disse que no caso da diminuição da remuneração pelo CO2 não emitido, prevista em projeto de lei, descontarão 650 milhões de euros às empresas do mercado da eletricidade “que irão em benefício dos consumidores finais”.

Por outro lado, explicou que uma coisa é a evolução do preço da energia nos mercados internacionais, “onde nenhum governo tem capacidade para agir”, e outra “como agir no recebimento de energia”.

Nesse sentido, mencionou outras iniciativas do Governo como o decreto aprovado esta segunda-feira no Congresso que prorroga até 31 de outubro as medidas do chamado “escudo social“, incluindo a suspensão dos despejos e cortes no fornecimento de água, eletricidade e gás natural aos cidadãos mais vulneráveis.

“Independentemente de termos um aumento diário do preço da energia nos mercados internacionais, estamos a tomar medidas para travar, limitar e segurar a fatura de eletricidade e gás natural”, frisou.

Os anúncios de Sánchez estão em linha com as declarações de Teresa Ribera, ministra da Energia de Espanha, que, em entrevista ao jornal Expansión já avançava que o Executivo espanhol havia desenvolvido um “grande plano de choque” para baixar os preços da eletricidade e reformar o setor.

“Até agora, temos feito muito bem em criar um clima favorável ao investimento no setor energético em Espanha, mas precisamos que o consumidor esteja connosco e também que perceba que o esforço que estamos a fazer se traduz numa redução do custo de eletricidade”, disse à publicação espanhola, citada posteriormente pelo Eco.

As declarações de Ribera seguiram-se a uma intervenção no Parlamento espanhol em que alertou para a possibilidade de o preço da eletricidade subir até 25% este ano: dos 512 euros em 2020 para 644 euros em 2021, isto em termos anuais.

Posteriormente, também Isabel Rodríguez, ministra da Política Territorial e porta-voz do Governo de Espanha já veio afirmar que a descida nas faturais mensais para os consumidores, como resultado das medidas anunciadas por Sánchez, deverá cifrar-se nos 12%. Esta manhã, depois do anúncio, do presidente do Governo espanhol, as ações das empresas de eletricidade caíam na bolsa de Valores de Madrid, segundo noticia o El Mundo.

Uma das promessas que Pedro Sánchez fez ao seu eleitorado, e que tem vindo a ser reiterada pelos seus ministros, é que no final de 2021 a fatura da eletricidade será semelhante à de 2018.

ARM, ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Por cá também temos o governo muito preocupado com os preços da eletricidade, do gás e dos combustíveis, tem sido baixar para corresponderem aos salários dos portugueses!

    • Deixa estar que o governo espanhol não serve de exemplo para ninguém.
      Estas medidas vão dar no mesmo sendo que as taxas de IRS (IPRF em Espanha) levaram um aumento brutal este ano e está já acordado outro aumento.

      No final vai-se pagar mais, a electricidade é apenas um dois muitos problemas actualmente em Espanha.
      Reduzir o IVA a 10% quando este é sobre o valor total da factura que por aí já tem 20% de “recargo” sobre consumo e potência contratada, de pouco serve.
      Para não falar que Espanha cobra sobre energia solar, quem tem painéis solares está obrigado a vender/declarar toda a energia gerada e paga imposto sobre rendimento (não sei se outros países pagam pelo sol, mas em Espanha não é gratuito)

      Enfim, não estão melhor que nós … mas o Sanchez é fantástico a fazer campanha, ele é capaz de aumentar impostos e anunciar como algo bom para os espanhóis, ao lado dele o Costa é um iniciante na política (por incrível que pareça)

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