Gigantesca “ponte magnética” que liga galáxias é observada pela primeira vez

MCELS / Cerro Tololo Inter-American Observatory / University of Michigan

A Grande Nuvem de Magalhães

A Grande Nuvem de Magalhães

Os cientistas já sabiam que uma ponte de gás se estendia por cerca de 75 mil anos-luz entre as nossas duas galáxias vizinhas, a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães. Agora, foi possível observar pela primeira vez essa ponte gigantesca.

O novo estudo sobre a “ponte de Magalhães” foi liderado por cientistas da Universidade de Sydney, na Austrália, e vai ser publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os nossos vizinhos galácticos mais próximos, a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães estão a 160 mil e 200 mil anos-luz da Terra. E a existência de um caminho formado por estrelas e gases, entre estas duas galáxias, não é novidade.

No entanto, até agora, muito pouco era conhecido sobre o seu campo magnético. Agora, equipa descobriu que possui um milionésimo da força do próprio escudo magnético protetor do nosso planeta, e poderia fornecer pistas de como se formou.

Segundo os especialistas, o campo magnético pode ter sido gerado a partir da ponte após a estrutura se formar, ou pode ter sido “arrancado” das galáxias anãs que se fundiram para formar a ponte.

Foi muito difícil para os cientistas estudar a estrutura porque este tipo de campo magnético cósmico só podem ser observado indiretamente através do seu efeito sobre outras estruturas no espaço. Neste caso, os sinais de rádio de centenas de galáxias muito distantes foram usados para capturar o campo magnético associado à ponte de Magalhães.

Os sinais de rádio são como ondas na superfície de uma lagoa, porque vibram ao longo de um determinado plano no espaço. Quando esses sinais passam através de um campo magnético, esse plano é alterado, e permite aos astrónomos medir a força e a polaridade (direção) do campo.

MCELS / Cerro Tololo Inter-American Observatory / University of Michigan

A Pequena Nuvem de Magalhães

A Pequena Nuvem de Magalhães

“A emissão de rádio das galáxias distantes serviu como uma lanterna, brilhando através da ponte. Depois, o seu campo magnético mudou a polarização do sinal de rádio”, explicou a principal autora do estudo, Jane Kaczmarek, da Universidade de Sydney.

Agora que foi detetado o campo magnético da ponte, os cientistas têm mais probabilidades de descobrir como é que esse caminho de estrelas e gases se formou, e o seu impacto nas galáxias vizinhas.

“Ainda não sabemos como é que esses vastos campos magnéticos são criados, nem como é que tais campos de grande escala afetam a formação e evolução das galáxias”, explica Jane Kaczmarek.

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