Geólogos propõem teoria sobre o famoso asteróide Vesta

O asteróide Vesta é o segundo maior asteróide do nosso Sistema Solar. Com um diâmetro de aproximadamente 530 km, orbita o Sol entre os planetas Marte e Júpiter.

Há muito tempo que os asteróides desempenham um papel importante na construção do fascínio popular pelo espaço. Marooned off Vesta foi a primeira história publicada pelo escritor americano Isaac Asimov, a terceira que escreveu, divulgada na edição de março de 1939 da revista de ficção científica Amazing Stories.

“Quando pensamos em cinturas de asteróides, provavelmente imaginamos Han Solo a manobrar a sua nave Millenium Falcon através de um conjunto denso de rochas cinzentas de formato irregular no espaço,” disse Christian Klimczak, professor do departamento de geologia da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade da Georgia, EUA.

“Embora a maioria das rochas seja cinzenta e tenha, efetivamente, formato irregular, elas estão separadas por grandes distâncias e a nave espacial Dawn da NASA não teve que contornar nenhum outro asteróide para alcançar e explorar Vesta.”

A sonda espacial Dawn foi a nave lançada em setembro de 2007 pela NASA com a missão de estudar dois dos três protoplanetas conhecidos na cintura de asteróides, Vesta e Ceres.

Vesta, como a Terra, é composto de rocha na sua crosta e manto, e possui um núcleo de ferro. Devido ao seu grande tamanho (para um asteróide) e dado que Vesta tem crosta, manto e núcleo, é considerado um planetesimal. Os planetesimais são blocos de construção a partir dos quais os planetas se formam.

A Terra formou-se graças à acreção de vários destes planetesimais. “Vesta estava a caminho se tornar num planeta parecido com a Terra também, mas a sua formação planetária parou no início da história do nosso Sistema Solar,” explica Klimczak.

“Portanto, o estudo de Vesta ajuda-nos a entender os primeiros dias da nossa vizinhança planetária e como o nosso próprio planeta se formou”, acrescenta. Klimczak é coautor de um novo estudo que examina os vales e as bacias de impacto a grande escala em Vesta.

O que criou estes vales gigantes em Vesta?

Vesta foi atingido por outros dois grandes asteróides que deixaram crateras de impacto tão largas que cobrem a maior parte do hemisfério sul de Vesta. Pensa-se que estes impactos tenham ejetado material rochoso para o espaço.

Algumas destas rochas chegaram à Terra como meteoritos, de modo que os cientistas têm amostras reais de rochas de Vesta para estudar a sua geoquímica.

“As propriedades das rochas são influenciadas pelas condições ambientais, como tensões circundantes e a presença de água,” explica Jupiter Cheng, doutoranda no departamento de geografia e coautora do estudo.

“Como Vesta é muito mais pequeno que a Terra, ou mesmo a Lua, tem uma gravidade mais fraca e a rocha deformar-se-ia de forma diferente perto da superfície do que vemos cá na Terra”. Segundo Cheng, uma grande questão é o que desencadeou a formação destas grandes depressões.

Os dois vales são concêntricos em torno das duas grandes bacias de impacto, Rheasilvia e Veneneia, respetivamente, e amplamente considerados como formados simultaneamente pelos eventos de impacto, embora esta relação assumida de idade nunca tenha sido testada antes. “O nosso trabalho usou métodos de contagem de crateras para explorar a idade relativa das bacias e dos vales,” disse Cheng.

Goddard Space Center / Dawun / NASA

Vesta em órbita no espaço exterior, numa passagem por Marte (c.a). Em destaque, as duas crateras do asteróide

A contagem de crateras é um método comum para estimar a idade da superfície de um planeta, um método baseado na suposição de que quando um pedaço da superfície planetária é novo, não tem crateras de impacto; as crateras de impacto acumulam-se depois disso a um ritmo que é considerado conhecido.

“Consequentemente, contar o número de crateras de vários tamanhos numa dada área permite-nos determinar durante quanto tempo se acumularam e, consequentemente, há quanto tempo a superfície se formou,” acrescenta a investigadora.

“O nosso resultado mostra que as depressões e bacias têm um número semelhante de crateras de vários tamanhos, indicando que partilham uma idade semelhante. No entanto, as incertezas associadas à contagem de crateras permitem que os vales se tenham formado bem depois dos dois grandes impactos.

A origem dos vales tem sido um ponto de conjetura na comunidade científica. Klimczak espera que as suas novas evidências geológicas possam promover uma teoria mais durável acerca dos vales de Vesta.

O estudo foi publicado na edição de setembro da revista científica Icarus.

Nova teoria será proposta num artigo científico vindouro

“A hipótese principal sugere que estas depressões são vales delimitados por falhas com uma escarpa distinta em cada lado que, juntos, assinalam a queda (deslizamento) de um bloco de rocha”, explica Jupiter Cheng.

“No entanto, a rocha também pode quebrar-se e formar tais depressões, uma origem que não tinha sido antes considerada,” acrescenta Cheng, que está a investigar a origem das depressões como parte da sua dissertação na Universidade da Georgia.

“Os nossos cálculos também mostram que a gravidade de Vesta não é suficiente para induzir tensões circundantes favoráveis para que o deslizamento ocorra a profundidades rasas. Ao invés, a física mostra que as rochas aí favorecem a fragmentação,” diz a investigadora.

“Portanto, a formação destes vales deve envolver a abertura de fissuras, o que não condiz com as principais hipóteses da comunidade científica. Como um todo, o projeto geral fornece alternativas para a origem e história geológica de Vesta, propostas anteriormente, resultados que são importantes para a compreensão de formas de relevo semelhantes noutros pequenos corpos planetários, noutras partes do Sistema Solar.”

// CCVAlg

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