França aprova lei que proíbe desperdício de comida nos supermercados

thinkpanama / Flick

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O senado francês aprovou uma lei que impede estes estabelecimentos comerciais de deitar fora ou destruir produtos que estejam no fim da validade.

França tornou-se o primeiro país do mundo a impedir que os supermercados possam deitar fora ou destruir produtos alimentares que não sejam vendidos, revela o The Guardian.

A nova lei, que passou com unanimidade no senado francês na passada quarta-feira, prevê que os supermercados fiquem proibidos de desperdiçar produtos que estejam a aproximar-se do fim do prazo da validade.

Como alternativa, estes estabelecimentos podem doar esses mesmos alimentos a instituições de caridade ou bancos alimentares, uma forma de ajudar pessoas mais carenciadas.

Segundo o jornal britânico, a lei foi inspirada por uma campanha contra o desperdício alimentar, e que levou a uma petição, organizada pelo vereador de Courbevoie, Arash Derambarsh.

Tal como seria de esperar, esta mudança foi bem recebida pelas instituições e bancos de caridade mas traz também novas responsabilidades. Estes mesmos organismos têm agora de investir em mais voluntários e recursos para lidar com este aumento significativo de doações.

De acordo com a nova legislação, os diretores dos estabelecimentos franceses, com 400 metros quadrados ou mais, devem assinar contratos que estabelecem um sistema de doações com essas associações. Caso contrário, esses responsáveis arriscam-se a multas superiores a 75 mil euros ou penas que podem chegar aos dois anos de prisão.

Em declarações ao The Guardian, Jacques Bailet, o responsável pela Banques Alimentaires, descreveu esta lei como “positiva e simbolicamente muito importante”.

“O mais importante, uma vez que os supermercados ficam obrigados a assinar um acordo com as instituições, é que vamos conseguir aumentar a qualidade e a diversidade da comida”, afirmou.

“Em termos de equilíbrio nutricional, temos neste momento um défice de carne e uma falta de fruta e vegetais. Esta lei vai permitir-nos conseguir mais esse tipo de produtos”, explicou.

Além disso, a lei torna muito mais fácil o processo de um determinado setor alimentar poder dar de forma direta os seus excessos de produção a instituições de caridade, que antes se revelava muito complexo.

Isso acontecia, por exemplo, quando uma fábrica que produzia iogurtes, mas com o nome de uma determinada marca de supermercado, queria dar os seus excessos.

“É algo muito importante para os bancos alimentares porque é uma fonte real de produtos com qualidade, que vêm diretamente da fábrica”, diz o responsável da Banques Alimentaires.

De acordo com o principal responsável por esta mudança, o vereador Derambarsh, o próximo passo é fazer chegar esta ideia a todos os Estados-membros da União Europeia.

“O próximo passo é pedir ao presidente François Hollande que faça pressão a Jean-Claude Juncker para estender esta lei a toda a União Europeia”, defendeu.

“Esta batalha está só a começar. Agora temos de combater este desperdício nos restaurantes, padarias, cantinas de escolas e de empresas”.

ZAP

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1 COMENTÁRIO

  1. E há quem jogue líxivia por cima da comida que os supermercados deitam nos contentores do lixo, só para que os mais desfavorecidos não remexam no lixo e usufruam de uma refeição grátis!
    Má-fé e completa indiferença pelo próximo, que nos dias que correm, são cada vez mais pobres…

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