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Fartos de Musk e Zuckerberg, jovens migram para o Tumblr (sim, leu bem: o Tumblr)

A estética anos 2000, o fim de uma polémica que envolve pornografia que é já águas passadas e… pouco comentário político. É esta a rede social para que se viram os jovens — e vai-se tornando num discreto clássico.

Ainda se lembra do Tumblr? A rede social esteve na moda na década de 2010, e foi comprada pela Yahoo em 2013 por mais de mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros).

Segundo explica o Business Insider, a Geração Z (pessoas que nasceram entre o final dos anos 90 e o início da década de 2010) está a começar a fartar-se da intervenção política de figuras detentoras das grandes redes sociais, como é o caso de Elon Musk (X) ou Mark Zuckerberg (Instagram, Facebook, WhatsApp), que se têm colocado ao lado da administração Trump.

Na verdade, a pandemia já trouxe um boost de utilizadores para a rede social, que no início desta década se encontrava moribunda.

Agora, 60% dos novos utilizadores são da “GenZ”. O Tumblr encheu-se novamente de influencers e continua centrada em inspiração, cultura e fandom.

O que é o Tumblr?

Esta rede social funciona um pouco como o X, ou Twitter, mas é menos centrada em opiniões controversas, política ou temas quentes. Foca-se mais em arte, fandom (grupos de fãs, por exemplo, de anime).

Tal como no X, é possível dar uma espécie de “retweet” (partilhar a publicação de outras pessoas). Mas raramente uma publicação se fica por apenas alguns comentários breves e soltos: costuma fazer-se acompanhar (como no Instagram é requisito) de imagem ou vídeo.

Para muitos, como Fjodor Everaerts, belga de 26 anos que já fez cerca de 250.000 publicações desde que se juntou ao Tumblr com 14 anos o seu “blogue” (página pessoal) funciona como um “fluxo de consciência” e um “diário”.

Existem também as mais variadas “comunidades”, a que se pode juntar se for fã de anime, gaming, arte, livros, ou qualquer outro tópico. De acordo com a DemandSage, em 2024 havia já na rede social 612 milhões de contas e 12.8 publicações por dia.

Mas nem sempre foi assim: depois de uma época “a bombar”, o Tumblr acabou por morrer e a culpa foi de uma polémica.

Y2K e as saudades do início da Internet

O regresso da estética “anos 2000” também pode estar a ajudar a trazer novos utilizadores para o Tumblr. A utilização de tecnologia retro, que relembra os primórdios da Internet, é um dos fatores da YK2, sigla “carinhosa” (Year 2000) atribuída a quem, hoje, venera a cultura do final dos anos 90 e início da década de 2000.

O estilo cintura descida e telemóvel de teclas está de volta, e isso pode estar a influenciar as escolhas dos mais jovens, que, guiados por esta tendência, gostam de partilhar inspirações desta estética no Tumblr, uma aplicação só por si bastante “retro” — tendo em conta que está a ser “ressuscitada”.

Pr0n no more?

Em 2018, o Tumblr mergulhou numa crise profunda, culpa de uma única e estranha palavra: Pr0n.

Trata-se, como o nome sugere, de uma nomenclatura mais leve para “porn”, ou “pornografia”. Na verdade, conteúdos sexualmente explícitos corriam livremente pela rede social. A “infestação” de pornografia afastou algumas empresas de publicidade e até alguns utilizadores (ao mesmo tempo que atraía outros).

Em novembro desse ano, a aplicação acabou mesmo por ser banida da app store (loja de aplicações) da Apple, que alegava que o Tumblr permitia a circulação de conteúdos que exibiam abuso sexual de crianças.

Entretanto, a rede social proibiu a pornografia, mas 30% dos utilizadores desinstalaram a aplicação. Nesse ano, a empresa foi comprada com grande desconto pela Verizon. Em 2019, foi vendida por 0,3% do seu preço de compra à Automattic. Agora, está a reerguer-se das cinzas, e tira vantagem do cansaço dos jovens com discursos políticos, homofobia, racismo e outros tópicos que boicotam.

Carolina Bastos Pereira, ZAP //

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