E a I Liga terminou com…violência e desmaio: “Os miúdos vêem e fazem o mesmo”

Manuel Fernando Araújo/LUSA

Famalicão – SC Braga termina com cenas de violência

Cenas dispensáveis marcaram um dos dois dérbis minhotos que encerraram o campeonato. Outra equipa minhota, o Moreirense, ainda vai jogar.

Terminou o principal campeonato de futebol em Portugal. Ainda haverá um play-off que vai envolver o Moreirense mas a fase de “todos contra todos” foi encerrada na noite passada.

Curiosamente o último dia da I Liga, 15 de Maio, foi preenchido com apenas dois jogos – e ambos dérbis minhotos.

O primeiro jogo decorreu em Famalicão, onde a equipa da casa esteve a perder por 0-2 mas conseguiu dar a volta e venceu por 3-2 diante do Sporting de Braga.

Os 90 minutos foram interessantes. O goleador Ricardo Horta (agora o maior marcador na história do SC Braga) inaugurou a contabilidade logo nos primeiros segundos, Vitinha ampliou a vantagem bracarense. Simon Banza reduziu em cima do intervalo, Bruno Rodrigues empatou perto do final e, quase nos 90’, Banza completou a reviravolta.

O que se passou depois dos 90 minutos não foi interessante. Mal o árbitro apitou, indicando o fim do jogo, jogadores do Famalicão correram na direcção de Fabiano Souza, lateral do Sporting de Braga, protestando com alguma acção anterior. Aí a maioria dos jogadores envolveu-se em empurrões, gritos, ameaças, com “ajuda” de muitos elementos dos bancos de suplentes.

No meio da confusão, um futebolista do Famalicão desmaiou: Charles Pickel. Riccieli e David Carmo, um jogador de cada equipa, foram expulsos pelo árbitro Manuel Mota.

Carlos Carvalhal ficou a ver a confusão, ao longe. Chegou mesmo a virar as costas, desiludido com o que estava a acontecer.

Na conferência de imprensa, o treinador do Sporting de Braga considerou o episódio “lamentável” e disse que ficou “estupefacto” enquanto os jogadores se empurravam e ameaçavam: “Não me revejo em nenhuma daquelas situações. São incompreensíveis, não fazem sentido nenhum. Isto não é futebol”.

Carvalhal reforçou ainda que os adultos deveriam dar um exemplo de educação aos futebolistas mais novos: “Caso contrário, os miúdos começam a ver isto e vão fazer um jogo de sub-12, sub-13 ou sub-14, desatam a fazer aquilo que o seus ídolos estão a fazer. Com toda a sinceridade, isto foi lamentável, das duas partes”.

Estádio vazio (Quaresma despediu-se?)

O jogo que realmente fechou a I Liga foi outro dérbi minhoto, que há uma semana poderia ser decisivo no apuramento para a Liga Conferência Europa. Mas, antes desta última jornada, as contas de Vitória de Guimarães e Gil Vicente já estavam definidas.

O sexto classificado, Vitória, goleou o quinto (e europeu) Gil Vicente por 5-0. Oscar Estupiñán, Rúben Lameiras, Nicolas Janvier, Ricardo Quaresma e Bruno Duarte marcaram.

Quaresma, internacional português e campeão europeu em 2016, poderá ter realizado o último jogo na sua carreira de futebolista, perante um estádio vazio.

Este castigo aplicado ao Vitória foi uma consequência do que aconteceu em Janeiro de 2020, na recepção ao Benfica: adeptos atiraram tochas e cadeiras durante um jogo que foi interrompido quatro vezes.

Contas

O Vitória de Guimarães, como já se sabia, terminou o campeonato no 6.º lugar mas ainda se pode apurar para a Liga Conferência Europa – precisa que o FC Porto vença a Taça de Portugal, na final com o Tondela.

O FC Porto foi campeão com o recorde de 91 pontos, mais seis do que o Sporting. Estas duas equipas vão estar na Liga dos Campeões. O Benfica, terceiro classificado com 74 pontos, vai estar nas pré-eliminatórias do torneio.

Seguem-se Sporting de Braga e Gil Vicente, respectivamente quarto e quinto colocados e que também entrarão em provas da UEFA.

Tondela e Belenenses SAD desceram para a II Liga, enquanto o Moreirense vai disputar dois jogos com o Desportivo de Chaves para tentar manter-se no principal campeonato português.

Darwin Núñez marcou 26 golos. O avançado do Benfica foi o maior marcador da I Liga 2021/22.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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