A falta de sono faz-nos ver ameaças em todo o lado

Se não conseguir distinguir um sorriso de uma careta, é provável que não ande a dormir o suficiente.

Um novo estudo mostra que a privação do sono limita a nossa capacidade de ler expressões faciais. Este défice de sono pode ter consequências graves, desde não perceber se uma criança está doente ou com dores a confundir uma pessoa na rua com um potencial ladrão.

“Reconhecer as expressões emocionais das outras pessoas muda tudo na forma como interagimos ou não com elas, e por isso na forma como interagem connosco”, afirma Matthew Walker, investigador na área de psicologia e neurociência da Universidade de Berkeley, nos EUA.

“O que descobrimos é particularmente preocupante se pensarmos que dois terços das pessoas em países desenvolvidos não dormem o suficiente”, alertou o investigador. “Basta pensar nas implicações para estudantes que fazem diretas a estudar, pessoal de emergência médica que faz longos turnos, militares em zonas de guerra e polícias no turno da noite”, salienta a autora principal do estudo, Andrea Goldstein-Piekarski, da Universidade de Stanford.

O estudo, publicado em julho no Journal of Neuroscience, partiu de uma experiência em que 18 pessoas analisaram duas vezes uma sequência de 70 expressões faciais, desde amigáveis a ameaçadoras, depois de uma noite de sono completa e depois de estarem 24 horas acordadas. Os investigadores analisaram a atividade cerebral dos participantes, assim como o seu ritmo cardíaco, enquanto estes olhavam para a sequência de caras.

Os cientistas observaram que os cérebros com sono não conseguiam distinguir as caras ameaçadoras das amigáveis, em especial nas regiões de deteção de emoções da ínsula anterior do cérebro e do córtex cingulado anterior. Além disso, os níveis cardíacos dos participantes quando não tinham dormido respondiam de forma anormal às diferentes expressões faciais.

Por fim, os investigadores descobriram uma desconexão na relação neural entre o cérebro e o coração, que normalmente permite que o corpo detecte sinais de socorro. “A falta de sono parece afastar o corpo do cérebro”, descreve Matthew Walker. “Não consegues seguir o teu coração“.

Mais ameaçadores do que amigáveis

Os participantes no estudo interpretaram mais expressões como ameaçadoras quando estavam sem dormir, mesmo algumas caras amigáveis ou neutras.

“Dormir pouco causa um exagero na perceção de ameaças. Isto pode explicar porque é que as pessoas com falta de sono são menos sociáveis e mais solitárias”, afirma o psicólogo.

Por outro lado, os investigadores descobriram que, quando os participantes dormiam uma boa noite de sono, a qualidade do período de Rapid Eye Movement (REM) ligava-se à capacidade de ler as expressões faciais de forma mais precisa. Estudos anteriores da equipa de Matthew Walker já tinham revelado que o sono REM ajuda a reduzir o stress e suavizar memórias dolorosas.

“Quanto melhor a qualidade do sono, maior a capacidade do cérebro e o corpo distinguirem com precisão as expressões faciais”, afirma o investigador. “O sono REM aparentemente redefine o norte magnético da nossa bússola emocional. Este estudo dá-nos mais provas da nossa necessidade essencial de dormir“.

ZAP

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