Uma nova experiência com ARN pode finalmente revelar a origem da vida

Os estágios iniciais da origem da vida na Terra podem ser revelados graças a uma nova experiência com ARN, sugere um novo estudo.

O ácido ribonucleico — ou ARN — é uma molécula mais pequena que a do ADN e apresenta três tipos diferentes, relacionados com as funções que desempenha.

Pode ser ARN mensageiro, cuja função é transmitir a mensagem genética recebida do ADN quanto este o sintetiza; ARN de transferência, cuja função é transportar os aminoácidos para os colocar sobre o ARN mensageiro; ou ainda ARN ribossomal, que, quando associado a certas proteínas, é o principal constituinte dos ribossomas da célula.

Há diferentes teorias para a origem da vida, mas agora o ARN pode ajudar a revelar a verdadeira história da humanidade.

Inspirados na Teoria da Evolução, de Charles Darwin, investigadores da Universidade de Tóquio, no Japão, realizaram uma experiência de longo prazo sobre a replicação do ARN e, desta forma, descobriram uma transição de um sistema químico para a complexidade biológica.

A equipa de investigadores criou uma molécula de ARN que pode não apenas reproduzir-se, mas também “evoluir” numa variedade de moléculas mais complexas, escreve o portal Interesting Engineering.

Os resultados do estudo publicado este mês na revista científica Nature Communications podem dar-nos pistas sobre os estágios iniciais da evolução humana. 

A experiência consistiu na incubação de moléculas de ARN em gotículas de água envoltas em óleo a 37 ºC por cinco horas. Os nutrientes foram depois adicionados e colocados novamente na incubadora por mais cinco horas. Este processo repetiu-se até 240 vezes.

O resultado foi que as duas linhagens de ARN ramificaram-se em múltiplas sublinhagens de ARNs hospedeiros e parasitas.

Ryo Mizuuchi, o autor correspondente do artigo, mostrou-se surpreendido com os resultados. “Na biologia evolutiva, o ‘princípio da exclusão competitiva’ afirma que mais de uma espécie não pode coexistir se estiverem a competir pelos mesmos recursos”, explicou o cientista nipónico.

O estudo não só nos mostra como podem ter sido os estágios iniciais da evolução, como também prova que o ARN pode evoluir e levar a vida complexa.

“Os resultados podem ser uma pista para resolver a questão final que os seres humanos têm vindo a perguntar há milhares de anos – quais são as origens da vida?” disse Mizuuchi.

  Daniel Costa, ZAP //

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