Exército isolado de milhões força política “zero covid” da China

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Wu Hong / EPA

A população chinesa tem aderido em massa ao esforço do Governo para manter uma apertada política “zero covid” no país. O valor da vida humana recua para segundo plano.

Embora a China tenha sido o epicentro do coronavírus, os dados mostram que o país tem tido um enorme sucesso a controlar a pandemia. O número de casos diários há vários meses que ronda apenas algumas dezenas, com uma ligeira subida nas últimas semanas devido à nova variante Ómicron.

A China adotou uma política “zero covid”, na qual se compromete a fazer os impossíveis para abolir a doença no país. Milhões de pessoas trabalham diligentemente para atingir esse objetivo, independentemente dos custos humanos, como escreve o The New York Times.

Na cidade de Xi’an, por exemplo, os funcionários de um hospital recusaram admitir um homem com dores no peito porque morava num distrito de médio risco. O homem acabaria por morrer de ataque cardíaco. Num outro caso, uma mulher grávida perdeu o bebé porque testou positivo à covid-19.

As autoridades acreditam que devem fazer tudo ao seu alcance para garantir zero casos de covid-19. Afinal de contas, esta é a vontade do seu líder, Xi Jinping.

O Governo tem como aliado um vasto exército de trabalhadores comunitários que forçam a política “zero covid” e hordas de nacionalistas que atacam qualquer pessoa que demonstre a mínima preocupação.

Embora conte com 95% da sua população de 13 milhões de pessoas vacinada, a cidade de Xi’an impôs um confinamento muito rígido. Os moradores não podiam sair à rua, algumas casas foram trancadas e mais de 45.000 pessoas foram transferidas para instalações de quarentena.

Aqueles que não sigam a política de “zero covid” da China podem enfrentar sérias repercussões. Não só os que quebravam o confinamento eram detidos, mas a CCTV relata o caso de um médico que foi condenado a 15 meses de prisão por não seguir os protocolos de controlo da pandemia ao tratar um paciente com febre no ano passado.

Na internet, não há espaço para dissidência ou crítica ao Governo e às suas políticas. Na China diz-se que as lamentações na internet têm servido de munições para a imprensa estrangeira criticar o país.

Apesar de anunciar a batalha da cidade contra o vírus como uma vitória na semana passada, o Governo local não está a ceder nas regras sanitárias e avisou que os seus futuros esforços de controlo da pandemia devem permanecer “estritos”.

  Daniel Costa, ZAP //

7 Comments

  1. Corrige a falta de zeros – e ou a palavra – na população da China ; Há lapso.
    No último censo eram 1,3 Biliões!
    Lapso, neste parágrafo…

    “Embora conte com 95% da sua população de 13 milhões…”

    • Estão ambos errados; a população actual da China são cerca de 1,4 mil milhões de pessoas!
      Biliões nunca poderia ser até porque a população mundial são “apenas” cerca de 8 mil milhões.

    • Há um lapso óbvio é na tua capacidade de interpretação! Olha vai lá ler melhor!
      Para não perderes muito tempo deixo-te aqui a passagem: “Embora conte com 95% da sua população de 13 milhões de pessoas vacinadas, a cidade de Xi’an impôs um confinamento muito rígido”. É a população da cidade!

  2. «Embora conte com 95% da sua população de 13 milhões de pessoas vacinada, a cidade de Xi’an impôs um confinamento muito rígido. » A cidade de Xi’an é que tem 13 milhões de habitantes, não se está a falar da China.

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