Novo detalhe explica a evolução dos humanos modernos em relação aos neandertais

Um equipa descobriu que o genoma humano moderno sofre uma mutação que torna a enzima adenilosuccinato liase menos estável, levando a uma diminuição na síntese de purinas. Contrariamente, esta mutação não ocorreu em neandertais.

Os cientistas acreditam que esta mutação afetou o metabolismo nos tecidos cerebrais e, portanto, contribuiu fortemente para que os humanos modernos evoluíssem para uma espécie separada.

Tal como recorda o SciTechDaily, os predecessores dos humanos modernos separaram-se dos seus parentes evolutivos mais próximos há cerca de 600.000 anos, enquanto a divergência evolutiva entre os nossos ancestrais e os chimpanzés modernos data de há 65 milhões de anos.

Os biólogos evolucionistas têm procurado as características genéticas particulares que distinguem os humanos modernos dos seus ancestrais e agora podem dar uma pista sobre a razão que leva a que os humanos de hoje em dia sejam tão diferentes.

Para perceber esse fenómeno, a equipa de investigadores estudou as diferenças metabólicas no cérebro, rins e músculos de humanos, chimpanzés e macacos.

A equipa analisou uma mutação humana que leva à substituição do aminoácido na adenilossuccinato liase, uma enzima envolvida na síntese de purina dentro do ADN.

Esta substituição reduz a atividade e estabilidade da enzima, o que resulta numa menor concentração de purinas no cérebro humano.

Os cientistas perceberam que a nova mutação é típica apenas entre humanos e não está presente em outros primatas ou nos neandertais.

Os investigadores provaram que essa mutação é a razão para as peculiaridades metabólicas em humanos ao introduzi-la no genoma de ratos.

Os animais submetidos à mutação produziram menos purinas, enquanto um gene ancestral, quando introduzido nas células humanas, levou a alterações metabólicas aparentes.

“Estou muito satisfeito por termos tido sucesso em prever as características metabólicas dos humanos modernos e validar as nossas hipóteses em modelos de ratos e células, embora não tivéssemos neandertais vivos para estudar”, conclui Vita Stepanova, principal autora do estudo.

O novo estudo foi publicado na revista eLife.

Ana Isabel Moura, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. “enquanto a divergência evolutiva entre os nossos ancestrais e os chimpanzés modernos data de há 65 milhões de anos.”
    ZAP, esta data não pode estar bem, uma vez que há 65 milhões de anos foi quando um asteróide matou os dinossauros.

  2. Sem dúvida que não pode ser 65 milhões de anos.
    Fará mais sentido alguns poucos milhões de anos como talvez os 6,5 !
    Gralha de ponto ou vírgula!

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