Facundo Arrizabalaga / EPA

Governo britânico estará a considerar a obrigatoriedade de apresentação de certificado de vacinação contra a covid-19 nas salas de aula, auditórios e residências das universidades, não estando previstas na medida alternativas como um teste negativo ou prova de imunidade.

A partir da próximo ano letivo, os estudantes universitários ingleses poderão ter que adicionar um novo elemento ao seu leque de material. Isto porque está a ser considerada, pelo governo de Boris Johnson, a apresentação de um comprovativo que ateste a toma da vacina contra a covid-19.

A possibilidade, sugerida pelo Times, foi abordada pela primeira vez por Vicky Ford, ministra da Educação britânica, que não a desconsiderou. “Eu acho que é muito importante que os jovens avancem e decidam vacinar-se”, disse ao programa BBC Radio 4’s Today.



“Obviamente, não posso comentar medidas que ainda não foram anunciadas, mas é preciso considerar a sua praticabilidade para assegurarmos que conseguimos que os estudantes regressem de forma segura, e garantir que continuamos a priorizar a educação”, revelou Ford.

Quando questionada sobre se a medida estava efetivamente a ser considerada, a governante foi evasiva ao afirmar que o governo está “sempre a considerar tudo o que possa ser feito para que todas as crianças e jovens estejam seguros na educação“.

Neste sentido, a arma mais importante para manter os níveis de transmissão baixos, relembrou, é garantir “que as pessoas se vacinem”.

A resposta foi um avanço face à resposta dada anteriormente, numa entrevista à Sky, em que Vicky Ford afastou por completo a ideia. De acordo com o Times, o gabinete de Ford está preocupado com a implementação da medida, uma vez que as universidades são organismos com gestão autónoma.

Ainda assim, paira no ar a possibilidade de o governo estar a fazer bluff, numa tentativa de levar mais jovens a vacinar-se, não estando a medida a ser realmente considerada. É que para além de salas de aula e auditórios, também o acesso a dormitórios e residências poderá ser restringido, aponta o The Guardian.

Em qualquer caso, o posicionamento do governo britânico está a ser encarado pela imprensa inglesa como mais um passo na implementação de um passaporte de vacinação doméstico — uma hipótese que já havia sido descartada por outros ministros anteriormente.

Numa clara inversão de estratégia, também Boris Johnson anunciou que seriam necessários comprovativos de vacinação para entrar em clubes noturnos ou outros recintos onde se reúnam multidões vastas a partir de setembro.

Ao contrário do que acontece atualmente em Portugal e noutros países europeus, não serão consideradas alternativas ao certificado de vacinação, tal como um teste negativo à Covid-19 ou um comprovativo de imunidade, o que está a gerar polémica entre os deputados do partido Conservador que entendem ser uma violação das liberdades civis.

Os representantes do partido Trabalhista também não parecem convencidos pela medida, o que pode inviabilizar a sua aprovação na Câmara dos Comuns. Keir Starmer, líder dos trabalhistas, diz que irá olhar “com cuidado” para qualquer anúncio que o executivo de Johnson possa fazer neste âmbito, apesar de só considerar o apoio do seu partido a uma obrigatoriedade de apresentação de certificados em eventos de larga escala e onde um teste negativo seja igualmente considerado.

“A ideia de que podemos regressar a eventos desportivos com grande massa de adeptos sem qualquer verificação não é algo que eu subscreva“, afirmou Starmer à rádio LBC, acrescentando que não vê os passaportes de vacinas a serem usados “diariamente”.

ARM, ZAP //