Estrelas escondidas podem fazer com que os planetas pareçam mais pequenos

(dr) Gabriel Pérez, SMM (IAC)

-

Na procura por planetas parecidos com o nosso, um importante ponto de comparação é a densidade do planeta. Uma densidade baixa diz-nos que o planeta é gasoso como Júpiter, e uma densidade alta está associada com planetas rochosos como a Terra. Mas um novo estudo sugere que alguns são menos densos do que se pensava devido a uma segunda estrela escondida nos seus sistemas.

À medida que os telescópios olham fixamente para zonas particulares do céu, nem sempre conseguem diferenciar entre uma estrela e duas. Um sistema composto por duas estrelas em órbita íntima pode aparecer em imagens como um único ponto de luz, mesmo através de observatórios sofisticados como o telescópio espacial Kepler da NASA.

Isto pode ter consequências importantes na determinação dos tamanhos dos planetas que orbitam apenas uma dessas estrelas, realça um estudo que será publicado na revista The Astronomical Journal, liderado por Elise Furlan de Caltech/IPAC-NExScI em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, e por Steve Howell do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley.

“A nossa compreensão de quantos planetas são pequenos como a Terra, e quantos são grandes como Júpiter, pode mudar à medida que obtemos mais informações sobre as estrelas que. Temos mesmo que conhecer bem a estrela para obter um bom controlo sobre as propriedades dos seus planetas”, afirma Furlan.

Sabe-se que alguns dos planetas mais bem estudados para lá do nosso Sistema Solar – ou exoplanetas – orbitam estrelas individuais. Conhecemos Kepler-186f, um planeta do tamanho da Terra na zona habitável, que orbita uma estrela sem companheira.

TRAPPIST-1, a anã ultrafria que abriga sete planetas do tamanho da Terra, também não tem uma companheira. Isso significa que não existe uma segunda estrela para complicar as estimativas dos diâmetros dos planetas e, por conseguinte, as suas densidades.

Mas imagens recentes de alta resolução revelaram que outras estrelas têm uma companheira nas proximidades. David Ciardi, cientista-chefe do NASA Exoplanet Science Institute, liderou um grande esforço para acompanhar as estrelas que o Kepler estudou usando uma variedade de telescópios terrestres.

O especialista, em combinação com outras investigações, confirmou que muitas das estrelas onde o Kepler encontrou planetas são estrelas duplas. Em alguns casos, os diâmetros dos planetas em órbita dessas estrelas foram calculados sem ter em consideração a estrela companheira. Isto significa que as estimativas dos seus tamanhos devem ser mais pequenas, e as suas densidades mais elevadas.

Os estudos anteriores determinaram que cerca de metade das estrelas semelhantes ao Sol, na nossa vizinhança estelar, têm uma companheira até 10.000 UA. Com base nisto, cerca de 15% das estrelas no campo de visão do Kepler têm uma companheira brilhante e próxima – o que significa que os planetas em redor dessas estrelas podem ser menos densos do que se pensava anteriormente.

JPL-Caltech / NASA

Este "cartoon" explica porque é que os tamanhos relatados de alguns exoplanetas precisam de ser corrigidos em casos onde existe uma segunda estrela no sistema.

Este “cartoon” explica porque é que os tamanhos relatados de alguns exoplanetas precisam de ser corrigidos em casos onde existe uma segunda estrela no sistema.

O Problema do Trânsito para Binários

Quando um telescópio deteta um planeta a passar em frente da sua estrela – um evento chamado “trânsito” – os astrónomos medem a diminuição aparente no brilho estelar. A quantidade de luz bloqueada durante um trânsito depende do tamanho do planeta – quanto maior é, mais luz bloqueia e maior a queda de luz observada. Os cientistas usam esta informação para determinar o raio do planeta.

Caso existam duas estrelas no sistema, o telescópio mede a luz combinada de ambas as estrelas. Mas um planeta em órbita de apenas uma dessas estrelas só provoca a diminuição de brilho numa delas. Portanto, se não soubermos da existência de uma segunda estrela, estamos a subestimar o tamanho do planeta.

Por exemplo, caso um telescópio observe uma estrela que diminui 5% de brilho, os cientistas podem determinar o tamanho do planeta em trânsito relativamente a essa estrela. Mas, se uma segunda estrela acrescenta luz, o planeta deverá ser maior para provocar a mesma quantidade de escurecimento.

Se o planeta orbita a estrela mais brilhante do binário, a maioria da luz no sistema vem dessa estrela de qualquer maneira, de modo que a segunda estrela não terá um efeito tão grande no tamanho calculado do planeta.

Mas se o planeta orbita a estrela mais ténue, a maior estrela primária contribui com mais luz para o sistema e a correção do raio calculado do planeta pode ser grande – pode duplicar, triplicar ou aumentar ainda mais. Isto afetará a forma como se calcula a distância orbital do planeta, o que pode fazer com que este se situe – ou não – na zona habitável.

O Novo Estudo

No novo estudo, Furlan e Howell focaram-se em 50 planetas do campo de visão do observatório Kepler cujas massas e raios foram previamente estimados. Estes planetas orbitam todos estrelas com companheiras até cerca 1700 UA.

Para 43 desses 50 exoplanetas, as estimativas anteriores dos seus tamanhos não tiveram em conta a contribuição da luz de uma segunda estrela. Isto significa que é necessária uma revisão dos tamanhos relatados.

Na maioria dos casos, a alteração dos tamanhos dos planetas será pequena. Investigações anteriores mostraram que 24 dos 50 planetas orbitam a maior e mais brilhante estrela do sistema e 11 desses planetas seriam demasiado grandes para serem considerados planetas caso orbitassem a companheira mais ténue e pequena. Assim, para 35 dos 50 exoplanetas, os tamanhos não mudarão substancialmente.

Mas, para 15 dos planetas, os cientistas não conseguiram determinar se orbitam a estrela mais fraca ou a estrela mais brilhante do par. Para cinco dos 15, as estrelas em questão têm aproximadamente o mesmo brilho, e as suas densidades vão diminuir substancialmente, independentemente da estrela que orbitam.

Este efeito das estrelas companheiras é importante para os astrónomos que caracterizam planetas descobertos pelo Kepler, que encontrou milhares de exoplanetas. Também será importante para a futura missão Transiting Exoplanet Survey Satellite da NASA, que procurará planetas pequenos em torno de estrelas próximas, brilhantes, pequenas e frias.

“Em estudos futuros, queremos ter a certeza de que estamos a determinar o tipo certo e o tamanho certo do planeta. Os tamanhos e as densidades corretas dos planetas são fundamentais para as observações futuras de planetas. No quadro geral, o conhecimento de quais os planetas pequenos e rochosos vai ajudar-nos a entender a probabilidade de encontrar outros planetas do tamanho da Terra”, comenta Howell.

ZAP // CCVAlg

RESPONDER

Governo espanhol admite suspender autonomia da Catalunha

A vice-presidente do Governo espanhol confirmou, esta quarta-feira, que Madrid admite suspender totalmente ou parcialmente a autonomia da Catalunha se os dirigentes separatistas não renunciarem à declaração de independência, num prazo de 24 horas. "Carles Puigdemont …

Armamento roubado em Tancos encontrado na Chamusca

A Polícia Judiciária Militar informou, esta quarta-feira, que encontrou na zona da Chamusca, distrito de Santarém, o material de guerra roubado dos Paióis Nacionais de Tancos. Segundo o Público, a Polícia Judiciária Militar (PJM) fez uma …

Arquivos secretos sobre o assassinato de Kennedy estão nas mãos de Trump

O maior mistério no imaginário popular da história recente dos Estados Unidos é quem foi o verdadeiro culpado pelo assassinato do ex-presidente John F. Kennedy, uma incógnita com inúmeras dúvidas que podem ser esclarecidas com …

Açúcar estimula o crescimento de tumores malignos

Uma equipa de cientistas descobriu, num estudo realizado durante nove anos, que o consumo de açúcar por doentes oncológicos ativa as células do cancro e estimula o crescimento de tumores. A ligação entre o açúcar e …

Ministra da Administração Interna exigiu demissão e Costa aceitou

António Costa aceitou esta quarta-feira a demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa. Constança Urbano de Sousa apresentou na noite desta terça-feira a sua demissão ao primeiro ministro António Costa que, numa nota …

Os africanos tiveram antepassados de pele clara

Segundo um novo estudo, as teorias científicas que diziam que os hominídeos só começaram a ter pele clara quando saíram de África estão erradas. Uma equipa de geneticistas da Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, nos EUA, …

Misteriosos "portões" antigos descobertos na Arábia Saudita

A descoberta de 400 estruturas de pedra antigas, na Arábia Saudita, está a intrigar os arqueólogos que ainda não conseguiram determinar de quando datam, nem para que foram construídas ou que fim tiveram. Estas estruturas de …

Propulsor elétrico da NASA bate recordes e pode levar-nos a Marte

Um propulsor que está a ser desenvolvido para uma futura missão da NASA para Marte quebrou vários recordes durante os testes, sugerindo que a tecnologia está no caminho para levar os humanos ao planeta vermelho …

Marcelo dá "última oportunidade" a Costa (com peso na consciência e no mandato)

Naquele que já foi considerado o discurso mais duro do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa ameaçou "usar todos os poderes" contra a "fragilidade do Estado". Em Oliveira do Hospital, local que escolheu para …

#MeToo: a hashtag que está a mostrar a magnitude do assédio sexual

Mais de 200 mil pessoas já partilharam a hashtag "Me too" ("eu também" em inglês) para mostrar a magnitude do assédio sexual, um problema que tem feito correr muita tinta nos últimos dias devido às …