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Foguetão “autofágico” prepara-se para ir ao Espaço já este ano — e pode partir dos Açores

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Promin Aerospace

O novo foguetão usa como combustível o seu próprio corpo, diminuindo o seu peso e, consequentemente, o custo de lançamento. Poderá partir dos Açores já este ano.

Nos últimos anos, o mundo tem visto empresas privadas entrar na cena espacial, em casos de grande sucesso como a SpaceX e a Virgin Galactic. Agora é uma startup ucraniana que tenta dar o próximo passo e está a desenvolver um foguetão leve que acredita que tornará os lançamentos mais baratos uma realidade.

Hoje em dia, todos os foguetões funcionam praticamente da mesma forma. Toneladas de combustível são carregadas para dentro do foguetão, que através da combustão, usa-o para propagar-se pelo ar até ao Espaço.

O propulsor de um foguete normalmente representa 90% da sua massa, o que significa que apenas cerca de 10% de carga é enviada para as missões espaciais.

A forma como a empresa ucraniana pretende tornas os lançamentos mais económicos é, no mínimo, original. O motor do foguetão consome o seu “corpo” como combustível durante o voo, numa espécie de ato de canibalismo.

Em vez de armazenar todo o combustível em tanques pesados, os investigadores propuseram criar o próprio corpo do foguetão a partir de uma espécie de combustível sólido.

À medida que o foguetão voa, o motor devora o seu corpo como combustível, reduzindo simultaneamente a massa do foguetão e permitindo que crie mais impulso, por ser mais leve, explica o portal Freethink.

“Durante a subida, o motor vai tomando gradualmente o corpo do foguetão, consumindo-o”, disse o engenheiro escocês Patrick Harkness, à BBC, em 2018. “Depois, no final do voo, apenas a carga útil e o motor vazio entram no Espaço”.

Harkness, juntamente com o engenheiro ucraniano Vitaliy Yemetsc, publicou um estudo, em 2018, na Aerospace Research Central, no qual detalha a inovação.

Para trazer o foguetão “autofágico” ao mercado, Yemetsc cofundou a Promin Aerospace com Misha Rudominski, um astrofísico de 22 anos, no início de 2021.

Um ano depois, a empresa prevê ser capaz de enviar cargas úteis com peso inferior a 3 kg para o espaço em foguetões com um peso incrivelmente baixo de apenas 100 quilogramas, com um custo abaixo de 200 mil dólares por lançamento.

A Promin Aerospace anunciou, no início do ano, um acordo com o Atlantic Spaceport Consortium (ASC), de Ponta Delgada, Açores.

O principal objetivo da empresa ucraniana é “garantir um local de lançamento seguro e confiável” e “preparar-se para a fase comercial de seu produto”, escreveu a empresa no Twitter.

“A cooperação com o ASC é um passo essencial no desenvolvimento da Promin Aerospace”, diz Misha Rudominski. “Como uma empresa em rápido crescimento com diferenciação em flexibilidade, precisamos de um parceiro que possa adaptar-se. Vemos esse parceiro no ASC”.

Conciliar o trabalho da empresa com a guerra que decorre no país não tem sido uma tarefa fácil. A equipa de engenheiros prossegue o seu trabalho de desenvolvimento, mantendo também as “responsabilidades diárias adicionais para proteger as suas famílias”, disse a empresa à SpaceNews.

  Daniel Costa, ZAP //

6 Comments

  1. Se o foguetão se consome a si próprio, não é canibal – é autofágico. Mas também poderá ser uma quimera…

  2. Ia dizer o mesmo que o Otto. Canibal só se come-se outros foguetões… acho que merece correcção para Autofágico

  3. Ok …leva 3 quilos e pesa 100 … Se a matemática não estiver errada… São 3%… Se nos outros o combustível é 90%.. mas não vão sempre cheios.. á medida que vai subindo vai gastando combustível… Logo “vai-se consumindo”… E fica mais leve… Acho que é só propaganda por ser ucraniano!…

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