Escaravelhos provam que lutar por parceiras pode ajudar a sobreviver à perda de habitat

Animais por todo o mundo estão a ver os seus habitats mudarem devido às alterações climáticas. Se quisermos entender como estas mudanças afetarão os animais, precisamos de entender melhor como a sua biologia pode determinar a sobrevivência a essas mudanças.

Investigadores da Queen Mary University of London publicaram um estudo, esta segunda-feira, na revista Ecology Letters, que demonstra o quão importante é o sistema de acasalamento de um animal. Os cientistas descobriram que as espécies cujos machos competem por parceiras são mais propensas a sobreviver a mudanças prejudiciais ao meio ambiente.

Em muitas espécies, os machos tentam seduzir as fêmeas, enquanto noutras tentam monopolizar o acesso às fêmeas ao combater outros machos com armas como chifres.

Esta competição por parceiras ajuda a impulsionar a evolução dessas espécies, num processo chamado de seleção sexual. Os parceiros mais atraentes ou mais agressivos são mais propensos a passar os seus genes para a próxima geração e produzir mais descendentes com as suas características.

Há várias razões para acreditar que o acasalamento competitivo pode afetar a resiliência de uma espécie à mudança ambiental. Primeiro, os sinais e armas que frequentemente evoluem nas espécies em que a competição é mais intensa custam a crescer e carregar.

Eles podem tornar os animais mais visíveis para os predadores, e as exibições extravagantes para as fêmeas podem gastar enormes quantidades de energia. Portanto, estas espécies poderiam ser menos capazes de lidar com as mudanças ambientais.

Por outro lado, a competição entre machos por companheiras significa que apenas alguns machos particularmente fortes, saudáveis ou energéticos “vencem” e são pais da maioria da próxima geração. Se o ambiente estiver a mudar, os machos geneticamente mais adequados para o novo ambiente provavelmente estarão nas melhores condições.

Se esses machos terminarem como vencedores da competição pelo acasalamento, os seus genes vão espalhar-se mais rapidamente. Uma seleção sexual tão forte poderia fazer com que as populações de animais se adaptassem mais rapidamente a novos ambientes, tornando-os mais resilientes a mudanças.

Uma série de estudos constatou que a seleção sexual forte melhora os resultados para as espécies animais quando o ambiente ideal muda. No entanto, outros estudos de animais no terreno não encontraram nenhum efeito da seleção sexual. Por exemplo, quando aves foram introduzidas em ilhas como a Nova Zelândia, as espécies que são mais sexualmente aptas têm menor probabilidade de se estabelecerem.

Escaravelhos

O necessário era um estudo de campo sobre a seleção sexual e persistência em populações maiores. Para esse fim, Rob Knell e os seus colegas conduziram um estudo sobre como os escaravelhos-sagrados respondem às mudanças ambientais na floresta tropical de Sabah, na Malásia.

Os escaravelhos-sagrados são animais fascinantes por várias razões, sendo uma das quais a diversidade das suas vidas sexuais. Enquanto alguns competem por acasalamentos, outros enterram estrume diretamente sob o local onde o encontram, e são esses mesmo que mostram uma variabilidade muito maior.

Usando um estudo de grande escala existente chamado Projeto SAFE, os cientistas seguiram 34 espécies de escaravelhos encontrados em florestas “antigas” intactas. Verificaram que as espécies com chifres eram mais propensas a sobreviver em todos os casos. Surpreendentemente, todas as 11 espécies restantes no ambiente mais perturbado tinham chifres.

Os investigadores também compararam espécies com chifres relativamente pequenos com aqueles com chifres maiores. Consequentemente, descobriram que as espécies de escaravelho com chifres grandes não só são as mais propensas a sobreviver em ambientes hostis, como também tendem a ter tamanhos populacionais maiores.

Isto mostra que em alguns casos particulares, pelo menos, devemos pensar sobre a seleção sexual, assim como outros aspetos da biologia de um animal, se quisermos prever ou controlar o tamanho das populações diante das mudanças ambientais.

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