Enigma dos desenhos da Amazónia continua a intrigar cientistas

Geóglifo do Acre, Brasil

É um enigma difícil de desvendar e que se arrasta há quase 40 anos, desde que os primeiros geóglifos foram descobertos na selva da Amazónia, no Brasil. A identidade de quem fez estes desenhos geométricos continua a ser um mistério.

Descobertos em 1977 pelo professor Ondemar Dias, do Instituto Brasileiro de Arqueologia do Rio de Janeiro, estas formações geométricas desenhadas na terra estiveram escondidas pela densa selva amazónica durante muitos anos.

Mas com as primeiras clareiras a surgirem, motivadas pela destruição florestal, começaram a ser visíveis do ar a partir dos anos de 1980.

A recente desflorestação que se agrava na Amazónia deixa muitas destas trincheiras e buracos escavados com formas circulares ou quadradas à vista e já há viagens turísticas de balão, para as apreciarem.

Já foram descobertos mais de 500 geóglifos nos estados do Acre, do Amazonas e da Rondónia – e continuam a ser um mistério para os investigadores que se têm dedicado ao seu estudo.

Há teses que apontam para que tenham sido desenhados em consagração dos Deuses ou criados para a realização de rituais e cerimónias religiosas, ou ainda para abrigar povos.

Também há quem os veja como uma espécie de fortificações defensivas.

O que é certo é que a identidade do povo ou povos que os construíram permanece um enigma de difícil resolução e nem sequer há uma certeza absoluta quanto à sua antiguidade, havendo indícios de que poderão ter entre 1.000 a 4.000 anos.

Geóglifo do Acre, BrasilA ideia de que pode ter sido uma antiga civilização perdida não granjeia muitos adeptos, até porque não há registos da existência humana nas zonas mais densas da Amazónia.

Aquilo que os geóglifos parecem indicar é que haveria povos semi-dispersos e semi-nómadas que terão desaparecido antes da chegada dos Europeus ao continente americano.

Havia a ideia de que a área poderia ter sido habitada por caçadores e nómadas de passagem, mas estes desenhos geométricos indiciam que a Amazónia alojou vários povos organizados em sociedade, sedentários e de dimensão considerável.

Isto sugere “um novo paradigma sobre o modelo de ocupação da Amazónia de sociedades pré-coloniais densas”, salienta a candidatura dos geóglifos do Acre a Património da Humanidade da UNESCO.

O mesmo documento destaca que há a ideia generalizada de que constituem “espaços sociais colectivos para uso cerimonioso, simbólico e ritual ou até para casas” e que “representam uma inovação tecnológica sem precedentes de pessoas indígenas no período pré-colonial, já que só na Amazónia tais estruturas terrestres foram construídas numa área florestal tropical por pessoas que não usavam ferramentas de metal”.

Estes geóglifos são essencialmente trincheiras ou buracos, com cerca de 4 metros de profundidade e cerca de 12 metros de largura, formando relevos no solo com diferentes formas geométricas, maioritariamente círculos ou quadrados.

SV, ZAP

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