Grandes empresas estimam que as alterações climáticas podem levar a riscos de 900 mil milhões

As alterações climáticas representam riscos financeiros de quase 900 mil milhões de euros, estimam algumas das maiores empresas do mundo num relatório divulgado esta terça-feira.

Os números são sugeridos tendo em conta três quartos (366) das 500 maiores empresas do mundo, que no conjunto estão avaliadas em 15 biliões de euros, avançou o Observador, citando a agência Lusa.

O documento foi divulgado pela organização internacional Carbon Disclosure Project (CDP) e alerta que muitos desses impactos resultantes dos riscos climáticos poderão ocorrer nos próximos cinco anos.

Do valor de perdas estimado, cerca de 446 mil milhões de euros são classificados como altamente prováveis ou quase certos, nomeadamente devido a custos operacionais mais elevados, relacionados com mudanças nas leis e nas políticas.

As empresas antecipam, ainda, perdas potenciais de 223 mil milhões de euros devido aos ativos relacionados com combustíveis fósseis e mudanças no mercado para economias de baixo carbono e energias alternativas. Neste número inclui-se as empresas que estejam muito expostas aos impactos físicos das alterações climáticas.

De acordo com o relatório, as empresas, no entanto, também admitem ganhos acumulados nas oportunidades de negócios relacionadas com as alterações climáticas, que podem ser mais do dobro das perdas (mais de dois biliões). Oportunidades, por exemplo, nos veículos elétricos, mas também no fornecimento de produtos que resultam das mudanças nas preferências dos consumidores.

No documento salienta-se que o valor potencial das oportunidades relacionadas com o clima é quase sete vezes superior ao custo de as alcançar, pelo que se esperam mudanças significativas nos produtos e serviços “amigos do clima”, por parte das maiores empresas do mundo.

Nicolette Bartlett, diretora para as alterações climáticas do CDP, salientou, citada no documento, o facto de haver “uma infinidade de riscos” que resultam das mudanças no clima e de as respostas serem “mais urgentes do que nunca”. Considerou ainda “extremamente encorajador” o facto de as empresas indicarem que o potencial das “oportunidades climáticas supera em muito os custos de investir nessa transição”.

No relatório, as empresas de produção de energia são dos poucos setores onde os custos de transição superam os das novas oportunidades.

O relatório envolveu 6.937 empresas de todo o mundo que enviaram dados ao CDP no ano passado. Das 500 maiores empresas mundiais por valor em bolsa, 366 enviaram informação. O estudo agora divulgado foi o primeiro do CDP a calcular o impacto financeiro das alterações climáticas nas empresas.

O CDP tem o maior sistema de divulgação ambiental, com dados de milhares de empresas e de mais de 150 cidades só na Europa, incluindo Lisboa. O objetivo do CDP é motivar empresas e cidades para medirem os impactos sobre o ambiente e recursos naturais e assim procurarem reduzi-los.

ZAP //

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