É um robô? Um barco? Não, é um “roboat” (e já chegou aos canais de Amesterdão)

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Embarcação tem uma forte componente tecnológica, conseguindo monitorizar objetos com os quais pode chocar e atracar através de códigos QR que vai lendo à medida que faz uma manobra.

Ao longo dos últimos anos, as empresas de tecnologia têm se dedicado a idealizar e a construir uma parafernália de veículos autónomos que permitam aos seus tripulantes libertarem-se das tarefas relacionadas com a sua condução. Os esforços centram-se sobretudo ao nível dos carros, já que estes constituem o principal meio de transporte para o ser humano. No entanto, há também equipas a aplicar as mais recentes tecnologias de automaticidade aos barcos.

É o caso do Laboratório de Ciências Computacionais e de Inteligência Artificial do MIT que, juntamente com o Laboratório das Cidades Sensoriais e o Instituto de Soluções Metropolitanas Avançadas de Amesterdão, têm vindo a desenvolver, desde 2015, um barco autónomo que começaram por estrear, numa versão de pequena escala, precisamente na piscina do MIT, nesse mesmo ano.

Em 2020, o projeto evoluiu, com a equipa a lançar uma nova versão, desta feita com tamanho médio. Ou seja, dois metros mais comprido que o anterior e com resultados promissores no que respeita à navegação.

Agora, quase seis anos após o pontapé de partida, a embarcação parece estar finalmente pronta para começar a atravessar os canais de Amesterdão, nas suas dimensões finais. O modelo, escreve o site ScieTech Daily, pode transportar até cinco pessoas, recolher resíduos da água ou entregar mercadoria (ainda que de pequena dimensão). O seu design não é menos impressionante, com o cinzento e o preto a predominarem numa estrutura com aspeto futurista.

No que respeita à sua alimentação, o “Roboat” é totalmente elétrico e contém uma bateria cujo tamanho se assemelha ao de um peito humano pequeno. No que respeita à autonomia, estima-se que permita cerca dez horas de utilização e que a bateria possa ser carregada à distância, isto é, através de wireless.

“Agora temos uma mais elevada precisão e robustez ao nível da perceção, navegação e controlos de sistemas, incluindo novas funções que temos vindo a adicionar, tais como a do modo de grande proximidade para as manobras de travagem e o posicionamento dinâmico melhorado, de forma a que o barco possam navegar em águas do mundo real”, explicou Daniela Rus, professora de engenharia elétrica e informática do MIT, que acrescentou ainda que o sistema de controlo do Roboat é adaptável ao número de pessoas que nele estão a ser transportadas.

De forma a navegar suavemente pelos canais de Amesterdão, o Roboat precisa de uma fusão meticulosa de uma correta navegação, perceção e controlo de software. Através do uso de software, a embarcação consegue, de forma autónoma, decidir uma rota segura desde o ponto A ao ponto B, ao mesmo tempo que monitoriza o ambiente à sua volta para evitar colisões com objetos, tais como pontes, pilares ou outros barcos.

Para, autonomamente, conseguir descobrir um caminho livre e evitar batidas contra outros objetos, o Roboat usa um grande número de câmaras que possibilitem uma vista 360 graus. Este conjunto de sensores foi batizado pelos inventores do Roboat como o “kit de perceção”. Assim que deteta possíveis barreiras, como canoas, o algoritmo do sistema classifica-o como “desconhecido“. Mais tarde, a equipa analisa os dados recolhidos durante o dia, os objetos são analisados manualmente e são etiquetados como “canoas“.

Os algoritmos de controlo — semelhantes aos da autonavegação dos carros — funcionam quase como um timoneiro a dar ordens aos remadores, sendo essas ordens uma tradução do caminho a seguir. Neste caso, as instruções são enviadas para os “propulsores“, os quais consistem nas hélices que ajudam o barco a mover-se.

Se os sensores são um dos atrativos futurísticos do Roboat, o sistema de travagem não lhes ficam atrás. Novamente, um conjunto de câmaras pequenas guiam a embarcação até ao porto através de códigos QR que são detetados pelo caminho. “O sistema permite ao Roboat conectar-se com outros barcos, com a doca, formar pontes temporárias para aliviar o trânsito, assim como praças ou outras palcos flutuantes, algo que não era possível na versão anterior”, explicou Carlo Ratti, envolvido no projeto.

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No que respeita ao design, o Roboat também é versátil. A equipa que esteve envolvida na sua projeção criou um design universal da estrutura — referente às partes que se movem sobre e sob a água. Enquanto os barcos normais têm “cascos” regulares, desenhados para funções específicas, o Roboat tem um design de casco universal, com a base a ser igual, mas os decks superiores a poderem ser trocados dependendo do tipo de uso.

“Como o Roboat pode trabalhar 24h/7, e sem precisar de um humano a bordo, ele acrescenta um grande valor à cidade. Ainda assim, por razões de segurança, é questionável o desejo de se atingir um nível de autonomia máximo”, explica Fabio Duarte, o principal cientista do DUSP a trabalhar no projeto. “À semelhança de um guarda de pontes, um operador costeiro irá monitorizar remotamente o Roboat a partir de uma central de controlo. Um operador consegue controlar mais de 50 embarcações do género, assegurando, ainda assim, operações tranquilas.”

O próximo passo do projeto é testar o Roboat no espaço público. “O centro histórico de Amesterdão parece-nos o melhor local para começar, com a sua extraordinária rede de canais a sofrer de muitos desafios contemporâneos, como é o caso da mobilidade e da logística”, explicou Stephan van Dijk, diretor de inovação do Instituto de Inovação de Amesterdão.

  ZAP //

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