“Já não se lembra, sr. primeiro-ministro?”. Dielmar no limite tenta recorrer a ajudas do Estado

Pedro Reis Martins / Lusa

Concentração de trabalhadores da Dielmar

A viabilização da têxtil está agora mais difícil, numa altura em que os cerca de 300 trabalhadores passam a ter o salário de outubro em atraso.

No momento em que a Assembleia de Credores da Dielmar, na passada terça-feira, foi adiada para 10 de novembro, os trabalhadores da empresa de Alcains perceberam que a ameaça de atrasos no pagamento de salários se estava a tornar cada vez mais real.

A situação da Dielmar está muito difícil. A Outfit 21, têxtil de Leiria que queria comprar a empresa de Alcains e estava disposta a garantir salários e postos de trabalho, acaba de desistir do negócio porque não conseguiu financiamento”, afirma ao Expresso fonte do processo, admitindo que o desfecho “está cada vez mais próximo de um final infeliz”.

No entanto, “no contrato coletivo do setor está previsto que em situações excecionais o pagamento pode ser feito até ao terceiro dia útil do mês, o que significa que só esta quinta-feira poderemos dizer que os salários estão em atraso”, explica ao jornal Marisa Tavares, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Baixa.

Nesta quinta-feira, terceiro dia útil do mês de novembro, os trabalhadores voltam à fábrica para um plenário em que vão discutir o quadro atual, as ações a adotar e a forma de “continuarem unidos na defesa da empresa e dos seus direitos“, resume Marisa Tavares.

A representante diz que os trabalhadores continuam a “acreditar no futuro da Dielmar, mas é importante deixar claro que os trabalhadores não podem ser prejudicados neste processo, nem aceitam argumentos como o facto de o OE2022 não ter sido aprovado”, sublinha.

O sindicato já enviou um ofício ao Ministério da Economia “para deixar claro que devem ser criadas condições para pagar o salário de outubro via Banco Português de Fomento”, sabendo que a alternativa é o subsídio de desemprego.

Consciente de que “tudo parecia mais fácil antes das eleições autárquicas”, Marisa Tavares recorda que “António Costa veio fazer campanha pelo PS a Castelo Branco e disse que a Dielmar era para salvar”. “Já não se lembra, sr. primeiro-ministro?”, questionou.

Fundada em 1965, em Alcains, a Dielmar empregou 300 trabalhadores e pediu a insolvência a 2 de agosto, com uma dívida total de 16,8 milhões de euros a 355 credores.

Metade deste valor é reclamado pelo Estado, que em agosto e setembro, garantiu os salários através do Programa de Apoio à Retoma, dando sinais de estar apostado em salvar a empresa. “Mas esse empenho terá durado apenas até às eleições autárquicas“, referem agora os trabalhadores.

  ZAP //

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