Desvendado o grande mistério do Sistema Solar em 2015: as manchas de Ceres

IDA / DLR / MPS / UCLA / JPL-Caltech / NASA

A cratera Occator tem o grupo mais impressionante de pontos brilhantes de Ceres

Foi o grande mistério do Sistema Solar em 2015: o que são as manchas luminosas de Ceres, o maior objeto do cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter? Os cientistas acreditam ser gelo e sal.

Trata-se de locais onde os impactos de corpos celestes perfuraram uma camada congelada de água salgada sob a superfície do pequeno planeta anão, com cerca de 950 km de diâmetro, disseram investigadores à Nature. As partes mais brilhantes correspondem aos impactos mais recentes.

A câmera da sonda Dawn, da NASA, identificou cerca de 130 focos brilhantes no planeta. De longe, o grupo mais chamativo fica numa cratera denominada Occator, no hemisfério norte de Ceres.

Quando a sonda entrou na órbita de Ceres, a câmara estava programada para registar o que costuma ser uma superfície escura, negra como alcatrão.

Por isso, as depressões superbrilhantes dentro da Occator saturaram o sensor do equipamento.

“Nós dissemos: ‘Ena, o que é isto?’ Não esperávamos nada assim”, lembra o investigador Andreas Nathues.

“A reflexividade estava em nível 0.25, ou seja, cerca de 25% da luz era refletida. No centro no núcleo interno das manchas da Occator, chegava a 50%, 60%”, descreve o cientista do Instituto Max Planck, na Alemanha. “Ao mesmo tempo, a superfície restante era bastante mais escura, com média de 9% de reflexividade”.

NASA / JPL-Caltech / UCLA / MPS / DLR / IDA

A sonda Dawn da NASA capturou estas imagens do planeta anão Ceres a cerca de 40.000 km de distância no dia 25 de fevereiro de 2015. Parte de Ceres está à sombra devido à posição atual da sonda em relação ao planeta anão e ao Sol.

A sonda Dawn da NASA capturou estas imagens do planeta anão Ceres a cerca de 40.000 km de distância no dia 25 de fevereiro de 2015. Parte de Ceres está à sombra devido à posição atual da sonda em relação ao planeta anão e ao Sol.

Gelo e sal em todo o planeta

Uma nova investigação indica que existe uma camada de gelo e sal em todo o planeta, abaixo dos escombros rochosos que o cobrem.

Quando um objeto do Espaço penetra nessa camada, o gelo começa a sublimar, ou seja, passa diretamente do estado sólido ao gasoso. O vapor libertado escapa da superfície, levantando partículas de gelo e pó, o que produz uma espécie de névoa.

A sonda Dawn observou essa névoa durante o “dia”, e a conclusão é que as manchas desaparecerão à medida que o gelo se derreta e reste apenas o sal.

A Dawn identificou indícios da presença de sulfato de magnésio hidratado, conhecido como sais de Epsom, mas a substância não é tão reflexiva como o gelo.

A emissão de água, que corrobora observações de Ceres feitas em 2013 pelo telescópio espacial Herschel, é uma reminiscência de cometas, que entram em sublimação quando se aproximam do Sol.

“É um pouco como um cometa, mas é preciso compreender que Ceres é um objeto diferenciado. Tem uma estrutura de concha”, afirmou Nathues à BBC.

“É muito provável que haja uma concha de gelo debaixo da casca, e essa estrutura é completamente diferente da dos cometas. Os cometas são objetos primitivos cheios de materiais originais que se alteram muito sutilmente”.

Origem distante

Num artigo na revista Nature, María Cristina De Sanctis levanta a possibilidade de que Ceres não tenha sido formado no lugar onde está hoje, a 417 milhões de quilómetros do Sol, mas muito mais distante no Sistema Solar.

A investigadora observou resultados do espectrómetro de sinais visíveis e infravermelhos da sonda Dawn, que detetou possíveis filosilicatos amoniacais em grandes extensões do planeta anão.

Os filosilicatos são minerais de argila, produzidos quando os materiais rochosos sofrem a ação da água durante muito tempo.

Contudo, a presença de amoníaco é que é o ponto interessante neste caso.

“São filosilicatos que possuem algum amoníaco na sua estrutura, o que significa que o amoníaco deve ter estado disponível nalgum momento. A única maneira de que isso tenha sido possível é que o material tenha tido uma origem mais fria“, afirmou De Sanctis, do Instituto Nacional de Astrofísica, em Roma.

A hipótese surge do reconhecimento de que os cristais de amoníaco não seriam estáveis na órbita atual de Ceres ao redor do Sol, já que esse material desaparece rapidamente quando a temperatura supera -173ºC.

Deste modo, para que Ceres tenha retido tanto amoníaco ou gelo rico em nitrogénio por tempo suficiente para que este se incorporasse no solo, é provável que o planeta tenha ocupado um ponto muito mais frio no passado, afirmou a investigadora.

“É uma possibilidade fantástica, e coincide com modelos dinâmicos da evolução do Sistema Solar que preveem que os objetos migrem até o interior do sistema“, disse.

ZAP / BBC

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