Descoberta origem das “partículas-fantasma” que atingiram a Antártida o ano passado

Felipe Pedreros / IceCube / NSF

O IceCube Neutrino Observatory, na Estação Científica Internacional Scott-Amudsen, no Polo Sul

Uma equipa internacional de cientistas descobriu no espaço profundo a origem dos neutrinos – partículas subatómicas capazes de percorrer milhões de anos-luz e atravessar toda a matéria – que foram detetados em setembro na Antártida.

Segundo anuncia uma equipa de cientistas, em um estudo publicados esta quinta-feira na revista Science, os neutrinos detetados no Pólo Sul em setembro tiveram origem numa galáxia elíptica a quatro mil milhões de anos-luz da Terra, que gira em torno de um buraco negro supermassivo – um fenómeno conhecido como ‘blazar‘.

Os neutrinos foram registados pelo detetor de partículas Icecube, uma rede de mais de 5.000 sensores de luz dispostos numa grelha a mais de um quilómetro de profundidade, enterrado no gelo do Pólo Sul.

Quando um neutrino interage com o núcleo de um átomo, cria uma segunda partícula que, por sua vez, gera um cone de luz azul que é detetado pelo Icecube. Como a segunda partícula e a luz que gera mantêm o mesmo trajeto do neutrino, é possível aos cientistas detetar onde começou esse trajeto.

O Icecube está sempre a examinar o céu, mas na maior parte dos casos, os neutrinos que deteta são partículas de baixa energia, criadas por colisões de partículas subatómicas provenientes de raios cósmicos com núcleos de átomos na atmosfera terrestre.

Apesar de ser o maior do mundo no seu género, desde que começou a funcionar em 2013, o Icecube só conseguiu detetar 82 neutrinos de alta energia. Para identificar a origem do neutrino que atravessou o Universo, foi usada uma rede de instituições e investigadores, incluindo os que trabalham com alguns dos maiores telescópios do mundo.

A ‘blazar’ identificada já é conhecida dos astrónomos, que a designam apenas por uma referência alfanumérica, e caracteriza-se por gerar jatos de partículas altamente energéticas que apontam para a Terra.

Os neutrinos, que os cientistas designam como “partículas fantasma” porque quase não têm massa, são altamente voláteis, praticamente não interagem com a matéria e não são afetadas por campos magnéticos. É isso que explica que os misteriosos neutrinos possam percorrer distâncias inimagináveis sem nunca mudar de direção.

Foi em 1912 que o físico austríaco Victor Hess provou que as partículas ionizadas que os cientistas encontravam na atmosfera vinham do espaço.

A carga energética das partículas dos raios cósmicos podem ser até centenas de milhões de vezes mais poderosas do que os seres humanos conseguem criar, como as que emanam do acelerador de partículas do CERN, na Suíça.

Na Via Láctea não se conhece nada que consiga gerar forças tão poderosas, e a origem dos neutrinos detetados na Terra era até agora um mistério.

Lusa // Lusa

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