Unir o partido e bater a concorrência à direita. Os desafios que Montenegro terá como novo líder do PSD

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Manuel Fernando Araújo / Lusa

Luís Montenegro, líder do PSD

Desde a mobilização de um partido dividido, a concorrência do Chega e da Iniciativa Liberal e a afirmação de uma oposição forte ao Governo maioritário do PS, Luís Montenegro tem vários obstáculos pela frente no leme do PSD.

Era apontado como o favorito e os resultados confirmaram-no. Luís Montenegro vai ser o próximo líder do PSD e tomará posse no Congresso marcado para o início de Julho. Pela sua frente, Montenegro tem vários desafios, tanto internos como externos.

Dentro do PSD, um dos maiores desafios é conseguir a mobilização em torno de um líder e de uma visão única, num partido que ainda está a lamber as feridas das quatro eleições directas que já teve desde 2018 — incluindo umas em 2020 causadas pelo desafio de Montenegro a Rui Rio, o que lhe valeu alguns anti-corpos no partido.

Num partido em que 40% dos membros não votaram nestas directas e onde parece haver um fosso entre o aparelho e os militantes, o ex-líder parlamentar pretende agora unir todas os dissidentes numa só voz e até já abriu a porta a que Jorge Moreira da Silva, o seu adversário interno, se junte a ele. “No que depender de mim não vamos prescindir do seu talento e dos que o apoiaram nesta eleição”, afirmou no discurso de vitória.

A escolha do líder parlamentar é outra das decisões mais urgentes que Montenegro terá em mãos. Paulo Mota Pinto foi o nome deputado após as legislativas e não foi alvo de grandes contestações, mas o novo líder do PSD ainda não garantiu a sua continuidade, apesar de sublinhar que não tem nenhum “estigma” pelos deputados devido às suas lealdades internas. Os dois vão encontrar-se nos próximos dias.

Outras duas grandes dores de cabeça para o PSD têm nomes: Chega e Iniciativa Liberal. As últimas legislativas reforçaram a tendência da fragmentação do eleitorado em partidos mais pequenos, especialmente à direita, e ditaram grandes vitórias para o Chega e para a IL ao mesmo tempo que mostraram a porta de saída ao CDS e que levaram à perda de deputados para os sociais-democratas.

Montenegro terá assim que gerir esta concorrência à direita que tem roubado votos ao PSD e que tenta, aos poucos, afirmar-se como a verdadeira alternativa ao PS. Ao contrário de Jorge Moreira da Silva, o novo líder recusou criar uma linha vermelha nas negociações com o Chega e comprometeu-se antes em tentar captar novamente os eleitores históricos do PSD que recentemente tenham saltado do barco laranja.

Os desafios nas urnas

Fora do PSD, os obstáculos que Montenegro tem pela frente não são menores. Perante um Governo maioritário do PS, os sociais-democratas perdem relevância, o que dificulta a missão de fazer uma oposição aguerrida.

A sua ausência da Assembleia da República também pode significar menos palco e menos oportunidades de fazer oposição directa ao PS, mas Montenegro considera que isto pode ser até um vantagem, ao dar-lhe a liberdade para viajar pelo país e ter um contacto directo com os eleitores — algo impossível fosse deputado.

Montenegro vai também ter um gabinete no Parlamento, o que lhe dará a oportunidade de se aproximar do grupo parlamentar que foi escolhido por Rui Rio e também de falar à comunicação social, nota o Expresso.

As primeiras eleições onde a sua liderança será testada serão as regionais da Madeira, em 2023, que Montenegro já disse serem “para ganhar com maioria absoluta”. Sendo um território laranja por excelência, a região autónoma abalou o PSD quando lhe retirou a maioria absoluta em 2019, maioria essa que Montenegro promete agora que vai recuperar.

Seguem-se as europeias em 2024, que serão o primeiro teste a nível nacional antes das legislativas de 2026. Já em 2024, Montenegro quer ter um programa eleitoral pronto para as legislativas para poder aproveitar os dois anos seguintes para esclarecer o eleitorado sobre as suas propostas.

  Adriana Peixoto, ZAP //

9 Comments

  1. Era o mesmo Montenegro que justificava as perseguições do Passos Coelho, contra os Reformados e Funcionários Públicos. Ainda lembro que ele vinha em defesa dele e justificava os cortes absurdos para as classes atrás referidas, como se fossem estes os culpados da crise dessa altura.
    MONTENEGRO é da mesma trupe do Passos Coelho. Cuidado eleitores!!!

  2. Eles nem falam que a votação foi superior a 40%.
    Não sei se poderá indicar a fuga de militantes para outros partidos que lhe são próximos, mas para poderem votar têm de ter as quotas em dia, mas poderá dar uma indicação para uma possível saída.
    Vamos ver como vai ficar o PSD.

  3. Boa tarde. Acabei de ver o seguinte titulo: Unir o partido e bater a concorrência à direita. Os desafios de Montenegro no PSD. Mas o que é isto !!! Então a meta do PSD é combater a direita em vez do PS ou mesmo a esquerda. Estou em pulgas para ouvir o seu comentário/analise sobre este assunto. Bem haja.

  4. O Homem ainda nem sequer tomou posse e já o querem abater. Aguardem! Este País precisa de oposição e para mais quando temos um Governo de maioria absoluta. Vejam só o que está a acontecer com os combustíveis. Numa semana baixam dois cêntimos na seguinte aumentam quatro cêntimos e andamos nesta subida e descida, que é sempre menos que a subida. O que faz o Governo? Nada! Silêncio absoluto. Vejam o que está acontecer nos aeroportos. Aguardem pelo Verão. É o SEF o culpado, serviços que o Governo deixou em morte agonizante. Mas o que é que esperam? Mas havemos de ver mais. Aguardem.

  5. E o irrevogável Portas. Foi o traidor dos reformados. Taxas taxinhas e taxetas e os impostos passaram a ser mais três vezes.

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