A crise económica de 2008 afetou a mortalidade na Europa (e não como era esperado)

Andy Rain / Epa

Os países mais ricos têm, por norma, expetativas de vida mais longas. Supostamente, nesses locais, as taxas de mortalidade deviam subir quando a economia vai mal, contudo, nem sempre é isso que acontece. Durante a crise económica de 2008, revela um estudo recente, o número de mortes diminuiu.

Um estudo que analisou 15 países europeus, nos períodos antes, durante e depois da crise económica global de 2008, referido na segunda-feira pelo IFL Science, mostrou que, quanto pior a economia de determinado país, menos pessoas morreram, embora ainda não se saibam as razões concretas para tal.

“O dinheiro nem sempre pode comprar saúde, mas, a nível individual, o poder económico alto está associado a vidas mais longas. A riqueza paga por melhores cuidados de saúde, dietas mais nutritivas e uma casa num bairro com melhores condições”, lê-se no artigo.

Corroborando o resultado acima referido, o investigador Joan Ballester, do Instituto de Saúde Global de Barcelona, ​​relata, num artigo publicado a 08 de fevereiro na Nature Communications, que “as recessões são geralmente associadas a um aumento mais rápido da expetativa de vida”.

Embora muito contestada, essa afirmação é apoiada noutros estudos. O investigador analisou as taxas de mortalidade entre 2000 e 2010, em 140 regiões europeias, algumas das quais eliminaram facilmente a crise económica de 2008 – que teve início nos Estados Unidos (EUA) – e outras que “sofreram muito”.

De acordo com os resultados da pesquisa, as taxas de mortalidade caíram na Europa durante o período em causa, tanto “nos bons e nos maus momentos”. Contudo, Joan Ballester encontrou as maiores quedas imediatamente após a crise, quando o desemprego disparou e os salários estagnaram.

As conclusões mostram igualmente que quanto mais atingida foi a região, maior o declínio nas taxas de mortalidade. A taxa de mortalidade aumentou 1% ao ano em Espanha, enquanto que, na Alemanha, onde a mesma era decrescente, parou de diminuir nessa década. O efeito foi mais forte no inverno.

Foram algumas as teorias apresentadas por outros investigadores para explicar os resultados verificados em recessões anteriores. Um desses estudos, referido por Joan Ballester, indica que, nos Estados Unidos (EUA), um aumento de um ponto percentual no desemprego está associado a uma redução na mortalidade de tráfego de 3% ou de 2.1% nos países da OCDE.

As recessões estão também associadas à redução da poluição, continua o artigo do IFL Science. No entanto, como a maior parte dos danos causados ​​pela poluição à saúde é de longo prazo, não fica claro o quanto esse fator contribui para uma queda imediata das mortes. O mesmo se aplica às reduzidas recessões de consumo de tabaco e álcool.

Segundo o site, uma explicação alternativa é que as pessoas que trabalham em horários reduzidos podem usar o tempo livre para fazer mais exercícios.

“É claro que as recessões não são uma maneira desejável de aumentar a expetativa de vida”, observou Joan Ballester num comunicado. A longo prazo, a atividade económica reduzida é provavelmente prejudicial. “Precisamos garantir que os períodos de expansão económica sejam também caraterizados por uma melhor qualidade do ar, menos acidentes e estilos de vida mais saudáveis”, acrescentou.

Taísa Pagno, ZAP //

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