Costa agarra-se à “grande vantagem” do OE e não se fia nas sondagens depois das “ilusões” na Câmara de Lisboa

1

O líder do PS também não garante um regresso da geringonça e revela que há uma companhia aérea europeia interessada na TAP.

Em entrevista ao Observador, António Costa garantiu que não está a pensar deixar Portugal para ser Presidente do Conselho Europeu e elogiou o trabalho de Charles Michel, que considera que vai ser reeleito para garantir a “estabilidade da Comissão e do Conselho”.

O secretário-geral do PS também comentou as propostas do partido para o trabalho, incluindo a semana de quatro dias, lembrando que esta opção já é uma realidade na autarquia de Mafra e considerando que a medida “deve entrar na agenda dos parceiros sociais”. Mesmo assim, Costa reconhece que a aplicação desta medida depende “de sector para sector”.

O líder socialista também não esquece as “carreiras sectoriais” da Administração Pública, como os enfermeiros ou professores, que precisam de mais apoios, mas avisa que “não podemos consumir todos os recursos com as carreiras especiais continuando a ignorar as carreiras gerais, como os técnicos superiores”.

Sobre o salário mínimo, Costa promete que o PS o aumentará para 900 euros mesmo que os patrões discordem.

Tal como tinha feito no debate com Rui Rio, António Costa voltou a usar a cartada do Orçamento de Estado, que lembra que “não são promessas eleitorais“. “Não vale a pena virem dizer ‘ah, agora que estamos em eleições vêm falar de baixar IRS’“, sublinhou, realçando que se o OE tivesse sido aprovado, os novos escalões do IRS e o aumento das pensões já tinham entrado em vigor.

Houve uma promessa que ficou por cumprir — dar um médico de família a todos os portugueses. Costa justifica que o número de utentes do SNS aumentou em perto de um milhão, com novas inscrições e com a adesão de emigrantes, o que impossibilitou que esta promessa fosse cumprida.

Sobre a TAP, “o importante é que o Estado mantenha uma posição estratégica” e o Governo vai “alienar 50% do capital” logo que seja possível. Há também pelo menos uma companhia europeia que já se mostrou interessada.

Tanto o Bloco como o PCP têm pressionado António Costa a esclarecer de vez se está disponível para uma nova geringonça, mas o líder socialista diz que não pode garantir aos portugueses que este casamento volte e que está disponível para outras soluções e diálogos.

“Ninguém quer que andemos de crise política em crise política, com Governos de dois anos”, afirmando, apelando novamente a uma maioria estável.

Costa também repetiu que se demite caso perca as eleições, mas que se mantém em funções enquanto o PS se reorganiza. As sondagens mais recentes também têm mostrado uma proximidade do PSD ao PS, mas o secretário socialista já não se deixa iludir pelos números: “Quem quer a vitória do PS, não se deixe iludir pelas sondagens. Foi com ilusões deste tipo que se perdeu a Câmara Municipal de Lisboa“.

  Adriana Peixoto, ZAP //

1 Comment

  1. Foi espectacular ver António Costa atrás da câmara de televisão para mostrar um OE de 2022 (já por demais desatualizado), qual “ emplastro” que aparece em algumas reportagens exteriores da tv!!! Espectacular.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE