O gelo mais antigo da Terra pode estar escondido sob a Antártida (e desvendar um mistério climático)

Uma equipa de cientistas europeus que “caça” os mais antigos gelos do planeta instalou-se num local específico da Antártida, onde vai levar a cabo uma série de perfurações a mais de 2,7 quilómetros abaixo da superfície gelada – os especialistas podem estar a um passo do mais velho gelo da Terra. 

O que é que aconteceu há 900.000 e 1,2 milhões de anos, quando a Terra sofreu uma transição no sistema climático que fez com que os períodos glaciais se tornassem mais longos e frios? Esta é a grande questão a que os especialista querem dar resposta.

Durante os próximos cinco anos, a missão Beyond EPICA-Oldest Ice trabalhará num lugar remoto da Antártica conhecido como “Little Dome C”, anunciou no início de abril a equipa no âmbito de uma reunião da União Europeia de Geociências, realizada em Viena.

“Os núcleos de gelo são únicos para as geociências, porque são um arquivo do paleo-atmosfera”, afirmou o coordenador da missão, Olaf Eisen, do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, em declarações ao portal Live Science.

Os cientistas vão analisar bolhas de gás, moléculas e partícula presas em camadas finas de gelo antigo. A partir destes dados, poderão reconstruir os níveis de dióxido de carbono, os dados da temperatura e outros indicadores climáticos ao longo de um vasto período do tempo.

O principal objetivo do projeto passa por entender por que motivo o ciclo das eras glaciais na Terra mudou no passado distante. Atualmente, acredita-se que há mais de 1,2 milhões de anos as eras glaciais alternavam-se em ciclos mais rápidos, cerca de 40.000 anos.

Os cientistas querem agora saber a causa desta alteração e esperam encontrar algumas destas respostas no “Little Dome C. Além disso, explicou a equipa, esta investigação pode ajudar a criar previsões climáticas para o futuro.

British Antarctic Survey (BAS)

Mapa da Antártida com a área de exploração da missão europeia

Uma missão para décadas

A área em torno do “Little Dome C” é muito seca e quase não ocorre precipitação – o que é ótimo para a missão. “Quanto mais baixa a taxa de acumulação de neve a cada ano, mais anos [de dados] terá o local a cada metro”, explicou Catherine Ritz, cientista do projeto e membro do Instituto de Geociências e Pesquisa Ambiental da França (IGE).

A temperatura média no local da perfuração é de -54,5 graus Celsius, ou seja, a equipa apenas conseguirá trabalhar durante dois meses do verão antártico.

Por este mesmo motivo, é provável que os cientistas demorem anos a alcançar as camadas mais profundas e mais antigas do gelo, tendo em conta que a missão pretende remover cilindros de gelo com quatro metros de comprimento e 10 centímetros de diâmetro. Desta forma, estima-se se que os resultados mais importantes não sejam alcançados até, pelo menos, ao ano de 2025.

ZAP ZAP //

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