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Cientistas despertam “fantasmas” em pacientes com Parkinson

Uma equipa de cientistas da École Polytechnique Dédérale de Lausanne (EPFL), na Suíça, desenvolveu um “teste de stress cerebral” para avaliar o estado mental de pacientes com Parkinson, a segunda doença neurodegenerativa mais predominante no mundo.

“Estamos a desenvolver algo semelhante a um teste de stress cardíaco, mas em vez de testar o coração, estamos a testar o cérebro”, começou por explicar o neurocientista da EPFL Olaf Blanke, em comunicado. Na prática, esta é uma nova forma de avaliar o início das alucinações em pacientes com a doença de Parkinson.

“As alucinações são um desafio porque podem surgir espontaneamente, sem que se possa prever a sua ocorrência. Muitos pacientes não as relatam, possivelmente por medo”, referiu Fosco Bernasconi, um dos coautores do estudo, publicado no dia 28 de abril na Science Translational Medicine.

O dispositivo robótico permite induzir alucinações em pessoas saudáveis e em pacientes com Parkinson. O procedimento envolve pedir ao participante para fazer gestos repetidos, sendo que um braço robótico imita esses gestos nas costas do paciente.

Quando os gestos e as batidas nas costas estão em sincronia, o cérebro é capaz de dar sentido à dissonância espacial e o paciente não relata nada fora do comum. No entanto, quando os gestos e as batidas nas costas estão fora de sincronia, tanto os participantes saudáveis ​​quanto os pacientes com Parkinson relatam presença de alucinações.

O teste permitiu concluir que os pacientes que já haviam experimentado alucinações anteriormente eram mais sensíveis à estimulação do robô.

Combinando esta técnica com ressonâncias magnéticas, os cientistas conseguiram estudar os circuitos cerebrais responsáveis pelo fenómeno.

A equipa foi capaz de identificar uma rede cerebral útil na deteção da presença de alucinações em pacientes com Parkinson, que poderia servir como biomarcador para as formas mais graves da doença.

Apesar de não ser uma cura nem um tratamento, este avanço fornece aos profissionais de saúde uma nova ferramenta de diagnóstico.

“Esperamos que, num futuro próximo, os médicos possam empregar o nosso teste de stress de alucinação para induzir alucinações de presença em condições seguras e controladas, de modo a quantificar a sensibilidade de um indivíduo à alucinação”, escreveram os autores da investigação.

O Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais predominante no mundo, depois do Alzheimer, e afeta principalmente os idosos. É uma doença conhecida principalmente pelos tremores e movimentos involuntários nos membros, ainda que existam muitos outros sintomas.

  Liliana Malainho, ZAP //

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