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Cientistas descobrem que larva de mosca emite gases de efeito de estufa

Piet Spaans / Wikimedia

A larva da espécie Chaoborus sp liberta gás metano na superfície da água

A larva da espécie Chaoborus sp liberta gás metano na superfície da água

A larva de um tipo de mosca que vive em lagos é responsável pela emissão de quantidades significativas de metano e pelo aumento dos gases de efeito de estufa, segundo revela um estudo da Universidade de Genebra, na Suiça.

O estudo, publicado esta terça-feira na “Scientific Reports”, determinou que a atividade da larva de Chaoborus sp tem um impacto negativo na atmosfera e é, em parte, responsável pela mudança climática provocada por esse tipo de gases.

Este inseto vive em lagos de todo o mundo, exceto na Antártida, e entre um ou dois anos do seu ciclo vital são sob a água em estado larval a profundezas inferiores a 70 metros, explicam os autores.

Durante o dia, a larva de Chaoborus sp protege-se dos predadores, escondendo-se no leito do lago e durante a noite sai à superfície para se alimentar.

O insecto está equipado com vesículas ou “bolsas de ar” que regulam o seu volume para alterar a profundidade e deslocar-se para frente ou para cima.

Os cientistas da Universidade de Genebra, em parceria com o Instituto Leibniz, a Universidade de Potsdam, na Alemanha e a Universidade de Swansea, no Reino Unido, descobriram que esta larva usa o gás metano (CH4) que encontra nos leitos como combustível para essas vesículas.

Os especialistas constaram que o inseto liberta gás metano na superfície de água, o que contribui negativamente ao aquecimento global e modifica as camadas sedimentares do fundo do lago e dificulta a tarefa da paleolimnologia.

A profundezas de 70 metros a larva não pode dilatar e reduzir normalmente as suas “bolsas de ar” devido à pressão de água, recorrendo ao metano para ativar este engenhoso mecanismo de flutuação.

O metano é um gás muito pouco solúvel em água. Sabemos que está presente em quantidades muito grandes em sedimentos pobres em oxigénio e que excede a capacidade de solubilidade em água e que forma pequenas borbulhas”, explica o responsável do estudo, Daniel McGinnis, da Universidade de Genebra.

Em consequência, aponta, existe a hipótese de a larva absorver o excesso de borbulhas gasosas para dilatar as suas vesículas, em vez de usar a pressão de água, e chegar até a superfície.

Graças a este “elevador inflável“, a Chaoborus sp economiza até 80% da energia que precisaria para subir à superfície do lago, reduz a sua ingestão de alimento e consegue expandir o seu habitat.

A água doce é responsável por 20% das emissões naturais de gás metano, o que absorve até 28 vezes mais calor do que o dióxido de carbono (CO2) e, portanto, tem um impacto significativo sobre o efeito estufa, assinalam os especialistas.

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Em condições normais, apontam, o metano isola-se e é depositado nos sedimentos dos lagos, mas a larva de Chaoborus sp retira o gás da sua zona habitual e aumenta as possibilidades de se dispersar na atmosfera.

“A larva de Chaoborus sp, cuja densidade varia desde os 2 mil aos 130 mil indivíduos por metro quadrado, só é encontrada em águas de baixa qualidade que contêm, por exemplo, muitos nutrientes”, indica McGinnis.

O especialista sustenta que a melhora da qualidade das águas, o controlo da agricultura e o tratamento de resíduos pode retificar a qualidade de água dos lagos e reverter a situação, porque este inseto “também transporta poluentes para a superfície nas partículas sedimentares”.

“Apesar de o estudo deste inseto ser fascinante, a presença de Chaoborus sp é sempre uma má notícia para o ecossistema. Ao mesmo tempo, isto dá-nos mais motivos para proteger a boa qualidade de água dos nossos lagos“, conclui McGinnis.

  ZAP // EFE

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