/

Cientista sugere semear (cuidadosamente) vida em planetas alienígenas “mortos”

1

JPL-Caltech / NASA

A busca por vida no Universo tende a concentrar-se em ambientes habitáveis. Contudo, para responder a perguntas sobre como a vida se espalhou, os cientistas podem estudar mundos mortos e semear vida neles.

Esta sugestão partiu do astrobiólogo Charles Cockell, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido. “O estudo biológico da falta de vida parece contraintuitivo, porque a biologia é o estudo da vida”, disse o cientista, citado pelo LiveScience.

Cockell afirma que focar-se inteiramente em mundos vivos deixa de fora uma percentagem enorme e potencialmente informativa do Cosmos. Os espaços assustadoramente grandes entre os planetas, bem como lugares como o Sol escaldante e a Lua gelada, são todos presumivelmente desprovidos de vida.

Aliás, notou Cockell, mesmo a Terra, que consideramos estar repleta de vida, é amplamente inabitável, com uma fina biosfera situada na superfície, mas um interior em grande parte “morto”.

O estudo de mundos sem vida poderia ajudar os cientistas a aprender que percentagem do universo é inabitável, que proporção é potencialmente habitável, mas apenas carente de vida, e se há alguns mundos que estão parcialmente vazios e parcialmente cheios de vida.

Depois de os organismos terem surgido no nosso planeta, acredita-se que se proliferaram para preencher todos os ambientes habitáveis ​​que conseguiram encontrar. No entanto, os detalhes desse processo ainda são vagamente compreendidos.

Cockell acredita que mundos mortos podem ajudar a fornecer uma visão científica sobre questões fundamentais, como os limites de onde a vida pode existir e a forma como os seres vivos colonizam áreas desabitadas.

Os mundos mortos também podem ser um “papel em branco”, onde os cientistas podem começar a experiência da vida do zero.

Se se libertassem pequenas quantidades de micróbios em ambientes sem vida, os investigadores poderiam aprender com que rapidez os organismos se espalham, a sequência em que diferentes espécies assumem o controlo e como os seres vivos alteram a química local e, eventualmente, começam a coevoluir com um planeta.

Determinar o lugar certo para conduzir este estudo pode ser complicado, visto que não é claro quais lugares do Sistema Solar estão totalmente mortos. Muitos astrobiólogos acreditam, por exemplo, que os oceanos cobertos de gelo das luas de Júpiter e Saturno são boas apostas.

Contudo, Cockell aponta que alguns ambientes podem ser habitáveis, mas desabitados.

Assim, se as profundezas da Europa de Júpiter ou do Encélado de Saturno não tivessem sem vida, os cientistas poderiam lá libertar bactérias e monitorizá-las durante um intervalo de tempo, como 10 mil anos.

Por outro lado, Cockell reconheceu que estas ideias podem levantar preocupações éticas, incluindo se temos o direito de alterar planetas para os nossos próprios fins. Os lugares do Sistema Solar são legalmente protegidos contra contaminação pelo Tratado do Espaço Exterior de 1967 – escrito pelos Estados Unidos e pela Rússia e assinado por todas as nações que viajam pelo Espaço.

O cientista considera que seria importante garantir que um mundo está realmente sem vida antes de entrar e potencialmente mudá-lo para sempre.

Uma outra razão para estudar ambientes sem vida pode ser, eventualmente, tropeçar acidentalmente na vida. Poucos pensavam que as fontes hidrotermais vulcânicas no fundo do oceano poderiam ser habitáveis ​​até que a exploração submarina mostrou que estavam repletas de organismos. Esses lugares ajudaram a redefinir a nossa compreensão de onde os seres vivos podem sobreviver e mostrar vida que não conhecemos.

Este estudo foi publicado no final de dezembro na revista científica Astrobiology.

  Maria Campos, ZAP //

1 Comment

  1. Os cientistas são uns insaciáveis! E não sei se, com este apetite pelo desconhecido, não estarão a comprometer a vida na Terra. Estudem o que nos preocupa, neste momento, que são variantes de um vírus que não nos deixa! Estamos presos à sua prepotência e as opiniões sobre ele, e as formas de o controlar, são cada vez mais divergentes!

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE