Chefe operacional da Proteção Civil alvo de queixa pela coordenação em incêndios

Nuno André Ferreira / Lusa

Rui Esteves tem sido criticado pela sua ação em vários incêndios. Secretário de Estado pediu relatório à Proteção Civil sobre o que aconteceu em Mação, mas autarca e deputado do PSD pressionam para uma investigação da Inspeção da Administração Interna.

O presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, e o deputado social-democrata Duarte Marques, querem saber mais sobre o que aconteceu no concelho, aquando dos fogos de Mação, e pedem uma investigação da Inspeção-Geral da Administração Interna, segundo o Público.

É sobre os dois incêndios do concelho que, tanto Vasco Estrela como Duarte Marques, exigem explicações. O primeiro iniciou-se em julho na Sertã e alastrou até Mação, queimando 18 mil hectares no segundo concelho (29.752 hectares no total dos concelhos). O segundo aconteceu em agosto e queimou mais 12.897 hectares.

No total, quase 31 mil hectares arderam em Mação em pouco menos de dois meses e agora as dúvidas levantam-se.

Quanto ao primeiro incêndio, o autarca e o deputado do PSD acreditam que houve desvio de meios e equipas de Grupos de Intervenção Permanente (GIP) da GNR para outros concelhos, deixando críticas ao teatro de operações. Quanto ao segundo, os dois políticos têm dúvidas quanto ao número de aeronaves e de bombeiros mobilizados para o combate às chamas.

Duarte Marques não tem medo de apontar o dedo diretamente a Rui Esteves, chefe operacional da Proteção Civil, e, num requerimento enviado ao Ministério comandado por Constança Urbano de Sousa, o da Administração Interna (MAI), sugere que a ministra peça, por iniciativa própria, uma investigação à “ação direta do Conac (Comandante Operacional Nacional) Rui Esteves em, pelo menos, estas duas ocorrências”.

O social-democrata admite ainda, no requerimento, acreditar que “a ação direta de Rui Esteves teve influência na perda de controlo da situação“.

Ao Público, o deputado disse que, caso Constança Urbano de Sousa não avance com a inspeção, Duarte Marques pretende avançar com uma queixa à Inspeção-Geral da Administração Interna. “Vou aguardar pelas respostas da ministra e, depois de ter as respostas na mão, vou preparar uma queixa à IGAI, para que se apure o que se passou e se apurem as responsabilidades do responsável máximo pela coordenação dos meios, o comandante nacional”.

O presidente da Câmara de Mação também não pretende ficar de braços cruzados: dá ao MAI uma semana para que lhe envie o relatório da Proteção Civil, que lhe havia sido prometido por Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna, e ainda não chegou.

Se o relatório não lhe chegar às mãos em breve, Vasco Estrela não vai esperar mais: no dia 13 irá oficializar uma queixa à IGAI. “Queremos perceber em pormenor as decisões que foram tomadas e as justificações do comandante nacional”, diz o autarca, para quem a falta de informação “ou é mais uma desconsideração do Conac ou este tem alguma coisa a esconder”.

O autarca de Mação tem muitas perguntas que quer ver respondidas. “Apesar de o Conac ter sido alertado para o erro que estava a cometer, decidiu deslocalizar meios para outras frentes do incêndio. Precisamos de saber se houve uma relação de causa/efeito para o que aconteceu. Pode não ter sido só azar. Por que razão estivemos cinco horas sem meios aéreos?”.

Por que não foi aberta outra ocorrência, para que o comandante distrital de Santarém pudesse gerir os meios? Como é possível estarem a arder casas em Mação e a Câmara não ter sido informada? Por que não houve qualquer meio mobilizado para Vale de Cardigos, onde arderam casas, sem que houvesse qualquer informação do posto de comando?”, continua a questionar Vasco Estrela.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Se o Governo e a ANPC apostassem nos radios macanudos (CB) e PMR, nada disto teria acontecido.

    A minha associacao teria assumido o comando destes meios e todos teriam comunicacoes.
    Mais recentemente referi a alguns lideres parlamentares que o meios aereos deveriam ser entregues a associacoes privadas e nao empresas.

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